E está muito bem. Uma das principais funções do ensino, na sua vertente intelectual, é tornar um ser humano competente e consistente com conhecimentos para poder exercer uma profissão e servir os outros na sociedade. Mas a principal função do ensino, no conjunto de todas as suas vertentes, é formar pessoas, para interagir com outras pessoas com humanidade, colocando o melhor de si ao serviço dos outros e do bem maior da humanidade.
Penso que estamos a chegar a um ponto em que temos de questionar que pessoas estamos a formar e que competência social estamos a dar às novas gerações. É a competência central da vida humana. Somos seres de e para a relação. Crescemos e realizamo-nos como pessoas humanas na relação com os outros. Somos seres sociais. Não há nenhum ser humano que seja feliz sem relações humanas saudáveis e profundas com os outros. O ser humano existe para socializar, criar empatia, conviver, falar, ouvir, escutar, partilhar, dar-se, ser para e com os outros. Mete-me impressão ver tantas crianças e jovens a crescer na solidão de um quarto, todo o dia esfíngicos diante de um ecrã, ou permanentemente colados ao telemóvel, com desprezo pelos outros à sua volta, ao ponto de já estarem completamente dependentes e com distúrbios mentais. Há que pensar seriamente no que se está a passar. Algo está mal na atual educação familiar e social e que sociedade é esta em que um jovem não tem outro intento maior do que estar enlevado e absorto diante de um aparelho eletrónico.
Espero bem que não, mas daqui a uns anos vamos perceber muito bem as consequências dos incompetentes sociais que estamos a criar. Desde tenra idade, ao sabor do individualismo e do hedonismo, não se está a educar para o interesse e o gosto pelos outros e a viver uma cultura do encontro e da relação saudável com o outro, a quem sou chamado a respeitar, a amar e a servir. Muitas crianças e muitos jovens não sabem estar e conviver uns com os outros, ou fazem-no de forma muito superficial, não sendo de admirar que deambulem entre a fobia, a solidão, o desprezo, a violência ou os excessos. Sem a competência social nunca teremos pessoas verdadeiramente felizes.





