Quarta-feira, 14 de Abril de 2021

Indemnização adicional a afetados pela barragem de Daivões

O presidente da Câmara de Ribeira de Pena adiantou hoje que as pessoas afetadas com a construção da barragem de Daivões devem começar a receber a indemnização adicional de "pelo menos 20 mil euros" em fevereiro.

“Os valores são todos diferentes, mas, no mínimo, qualquer uma das pessoas afetadas irá receber 20 mil euros”, explicou João Noronha.

O autarca falava após a visita à barragem de Daivões e subestação de Gouvães, no distrito de Vila Real. Inseridas no Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), um dos maiores projetos hidroelétricos na Europa, nos últimos 25 anos, contemplam um investimento de 1.500 milhões de euros, da responsabilidade da empresa espanhola Iberdrola.

A visita contou com a presença do primeiro-ministro, António Costa, o ministro do Ambiente e da Ação Climática, Matos Fernandes, e o presidente da Iberdrola, Ignacio Galán.

João Noronha garantiu ainda que todos os sete casos de famílias que não tinham onde ser realojadas têm a situação resolvida.

“A Iberdrola assumiu a responsabilidade do pagamento da renda e as pessoas vão ser realojadas em casas dignas, onde qualquer um de nós podería estar com as nossas famílias”, vincou.

A 29 de novembro, o autarca João Noronha informou que a Iberdrola vai pagar mais 1,4 milhões de euros de indemnização às famílias afetadas pela construção da barragem de Daivões.

“É uma compensação adicional que achamos que é um valor justo, pois ninguém poderia fazer uma casa nova com 70 ou 80 mil euros”, acrescentou.

O autarca espera ainda que essa nova indemnização seja paga durante o mês de fevereiro.

Também à margem da cerimónia, o presidente da Iberdrola realçou o acordo com todas as famílias afetadas com a construção das barragens.

“Além da parte jurídica, existe algo que é o diálogo e tivemos diálogo continuamente e permanente com todos os intervenientes”, afirmou Igancio Galán.

Para o presidente da Câmara de Ribeira de Pena, o facto de o responsável da Iberdrola estar em Madrid não permitia “aperceber-se da realidade” na localidade transmontana.

“Este projeto não pode ser construído em prejuízo e sacrifício de pequenas populações locais, num processo mais intimidatório que expropriatório em que as pessoas foram obrigadas a sair de suas casas”, sublinhou.

O Sistema Eletroprodutor do Tâmega foi concessionado à espanhola Iberdrola e inclui a construção das barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega, no distrito de Vila Real.

O projeto hidroelétrico foi apresentado oficialmente em 2009, as obras começaram em 2014 e devem estar concluídas em 2023.

Ao longo desta década, o empreendimento foi alvo de muita contestação por parte de associações ambientalistas e de moradores dos concelhos afetados. O enchimento das albufeiras de Daivões e de Alto Tâmega vai ter impacto em 52 casas.

O empreendimento emprega cerca de 1.800 pessoas, das quais perto de 370 são dos municípios da região, e contará com uma potência instalada de 1.158 megawatts (MW), alcançando uma produção anual de 1.760 gigawatts hora (GWh), ou seja, 6% do consumo elétrico do país.

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