Domingo, 13 de Junho de 2021
Armando Moreira
MIRADOURO Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Instabilidade grevista

O país tem assistido, no último meio ano, a anúncios sucessivos de pré-avisos de greve, em variadíssimos sectores de atividade económica e a paralisações, ou mesmo encerramento de serviços, em particular públicos, com incómodos evidentes para a vida do cidadão em geral.

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Porém os efeitos das paralisações não são iguais. Umas são mais nefastas do que outras. Vejamos um exemplo.

A paralisação dos estivadores do Porto de Setúbal foi de um prejuízo devastador para a economia. A impossibilidade de exportar as mercadorias que por ali eram encaminhadas causou sérios danos à Autoeuropa e às dezenas de pequenas e médias empresas suas fornecedoras. Desconhecemos os impactos financeiros, nem é isso que vem ao caso. Chamou-nos, porém, à atenção, a revelação feita, em recente entrevista, a Andreas Tostmann (Jornal Público) supervisor das fábricas da Volkswagen no mundo “Estivemos perto de mandar 6 000 pessoas para casa, sublinhando: visto a partir da Alemanha, o que nós precisamos é estabilidade nos parceiros que trabalham connosco. Para ser franco não ficámos muito contentes com o que aconteceu porque isso afetou fortemente a nossa distribuição. Esperamos que, no futuro, estes problemas possam ser resolvidos sem greves porque isto pode prejudicar toda a economia”.
E concluiu: “Se as coisas chegam a uma rutura tão grande, então também temos de pensar no investimento futuro, no que temos de fazer e onde o iremos fazer”. 

Veja-se que é o pensamento de um investidor, que, por acaso, já está instalado em Portugal. O que pensarão empresários que estejam a planear investir no nosso país, noutros ramos de negócio. Continuarão entusiasmados a procurar o nosso país, ou pensarão em destinos em que o clima laboral seja mais favorável? 

Porque é disso que se trata. O que todos nós assistimos durante aqueles meses de paralisação dos estivadores, foi que as autoridades (Governo), não tiverammeios para desatar o nó que os sindicatos impuseram ao sector, porque, ao que se supõe, a nova legislação laboral é tão permissiva que admite abusos daquela natureza (que não tem nada com o sagrado direito da greve que assiste aos trabalhadores).
Quando tanto se fala na necessidade de mais investimento estrangeiro – obviamente privado para que a nossa economia cresça, exemplos como os do Porto de Setúbal, não podem deixar de ter reflexos no ânimo dos investidores, quando haverá tantos destinos por onde escolher. 

Pensem nisso os nossos governantes, e pensem nisso os nossos legisladores no sentido de aperfeiçoarem os mecanismos da legislação laboral – essa sim, uma grande reforma estrutural de que o país carece, que não contará, como é evidente, com o apoio dos partidos de extrema-esquerda, que nunca esconderam (honra lhe seja feita) o seu desejo em acabar com o sector privado da economia. Porém todas as outras forças políticas, do espectro partidário percebem, que sem a atividade privada a economia do país não crescerá e tenderemos a permanecer na cauda da Europa, como agora acontece.

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