Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Instabilidade grevista

O país tem assistido, no último meio ano, a anúncios sucessivos de pré-avisos de greve, em variadíssimos sectores de atividade económica e a paralisações, ou mesmo encerramento de serviços, em particular públicos, com incómodos evidentes para a vida do cidadão em geral.

Porém os efeitos das paralisações não são iguais. Umas são mais nefastas do que outras. Vejamos um exemplo.

A paralisação dos estivadores do Porto de Setúbal foi de um prejuízo devastador para a economia. A impossibilidade de exportar as mercadorias que por ali eram encaminhadas causou sérios danos à Autoeuropa e às dezenas de pequenas e médias empresas suas fornecedoras. Desconhecemos os impactos financeiros, nem é isso que vem ao caso. Chamou-nos, porém, à atenção, a revelação feita, em recente entrevista, a Andreas Tostmann (Jornal Público) supervisor das fábricas da Volkswagen no mundo “Estivemos perto de mandar 6 000 pessoas para casa, sublinhando: visto a partir da Alemanha, o que nós precisamos é estabilidade nos parceiros que trabalham connosco. Para ser franco não ficámos muito contentes com o que aconteceu porque isso afetou fortemente a nossa distribuição. Esperamos que, no futuro, estes problemas possam ser resolvidos sem greves porque isto pode prejudicar toda a economia”.
E concluiu: “Se as coisas chegam a uma rutura tão grande, então também temos de pensar no investimento futuro, no que temos de fazer e onde o iremos fazer”. 

Veja-se que é o pensamento de um investidor, que, por acaso, já está instalado em Portugal. O que pensarão empresários que estejam a planear investir no nosso país, noutros ramos de negócio. Continuarão entusiasmados a procurar o nosso país, ou pensarão em destinos em que o clima laboral seja mais favorável? 

Porque é disso que se trata. O que todos nós assistimos durante aqueles meses de paralisação dos estivadores, foi que as autoridades (Governo), não tiverammeios para desatar o nó que os sindicatos impuseram ao sector, porque, ao que se supõe, a nova legislação laboral é tão permissiva que admite abusos daquela natureza (que não tem nada com o sagrado direito da greve que assiste aos trabalhadores).
Quando tanto se fala na necessidade de mais investimento estrangeiro – obviamente privado para que a nossa economia cresça, exemplos como os do Porto de Setúbal, não podem deixar de ter reflexos no ânimo dos investidores, quando haverá tantos destinos por onde escolher. 

-PUB-

Pensem nisso os nossos governantes, e pensem nisso os nossos legisladores no sentido de aperfeiçoarem os mecanismos da legislação laboral – essa sim, uma grande reforma estrutural de que o país carece, que não contará, como é evidente, com o apoio dos partidos de extrema-esquerda, que nunca esconderam (honra lhe seja feita) o seu desejo em acabar com o sector privado da economia. Porém todas as outras forças políticas, do espectro partidário percebem, que sem a atividade privada a economia do país não crescerá e tenderemos a permanecer na cauda da Europa, como agora acontece.

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