Depois de um périplo que levou, nos dias 8 e 9, o Bastonário da Ordem dos Médicos a visitar seis centros de saúde do Distrito de Vila Real, o Hospital de Chaves e o Centro Hospitalar de Trás–os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), Pedro Nunes, fez um balanço muito negativo sobre a situação actual da unidade flaviense.
Apesar de considerar que, no geral, os centros de saúde “estão bem estruturados, têm edifícios novos e o devido apoio de pessoal”, contando com “uma cobertura de médicos favorável é mesmo melhor que na periferia das cidades”, Pedro Nunes considerou “muito preocupante” a situação que se vive no Hospital de Chaves. “Há um abandono grande dos médicos devido ao desinvestimento que se verificou no último ano”, considerou o bastonário, contabilizando mesmo que, nesse período, foram 18 os profissionais que saíram daquela unidade e várias as valências e serviços que estão a desaparecer, sendo de sublinhar o “estado absolutamente caótico” do serviço de urgência.
“O que podemos ver é a destruição de um hospital que já foi bom e um grupo de profissionais muito incomodados, muitos dos quais já pediram a reforma antecipada por não aceitarem as condições em que estão a trabalhar”, referiu o mesmo responsável.
Se a integração do Hospital de Chaves no CHTMAD é considerada “um problema mal resolvido”, que conta agora com um cenário de abandono e desinvestimento, uma possível articulação com o Hospital de Verín é, segundo Pedro Nunes, ainda “mais preocupante.
O Bastonário acredita que, tal como aconteceu em Elvas e Badajoz, corre-se o risco de chegar a um ponto em que “o Estado pague a Espanha o tratamento de doentes portugueses”.
Lembrando que a experiência indica que, “no que diz respeito à saúde, todos os projectos que têm havido de cooperação transfronteiriça se têm revelado altamente benéficos para Espanha e altamente prejudiciais para Portugal”, Pedro Nunes explicou que a Ordem dos Médicos quer lançar um alerta nacional, contactando também directamente a Ministra da Saúde e o Primeiro-ministro.
“É evidente que são os dirigentes políticos que têm que tomar as decisões e assumir as responsabilidades pelas decisões, mas a Ordem não pode calar-se quando se apercebe que uma unidade, que era de qualidade e que já foi de referência, seja dotada ao abandono”, concluiu.
Para além das duas unidades hospitalares, Pedro Nunes visitou os dois centros de saúde de Chaves, os dois de Vila Real e os de Valpaços e Sabrosa, participando também num debate realizado na sede da delegação vila-realense da Ordem.



