O assunto a que me vou referir – Acesso à água, é muito atual e diversas atividades procuraram sensibilizar, até as crianças, para a necessidade de usar a água com parcimónia, pois ela pode ser um bem que se esgote. É preciso usá-la mas não estragá-la, quer malbaratando-a quer conspurcando-a. Sendo a água uma coisa tão comum ela é de um valor incalculável; o nosso organismo pode aguentar-se muitos dias só com água, mesmo que não coma nada. Se tivesse comida e lhe faltasse a água duraria muito menos tempo.
A superfície da Terra é coberta por 4/5 de água para 1/5 de terra; o nosso organismo tem aproximadamente 65% de água; na maioria dos corpos existe uma grande percentagem de água – os alimentos liofilizados, por exemplo, ocupam muito menos volume do que os alimentos naturais.
Se repararmos, e só o fazemos quando ela nos falta, a água é indispensável no nosso quotidiano: para lavar, para confecionar os alimentos, para regar, para pôr em movimento as grandes turbinas que por sua vez geram a energia elétrica, sem a qual, penso eu, já não poderíamos viver, etc.
Antigamente e ainda agora, muitas contendas entre vizinhos de terrenos rurais chegam a causar feridos e mortes só porque um deles desviou um pequeno curso de água que irrigava os campos do outro.
Dizia um dia alguém ligado a estes assuntos: num futuro mais ou menos próximo o mundo vai sofrer mais pela «crise da água» do que tem sofrido com as «crises do petróleo». O que entre nós se está a passar com a falta de água é já uma amostra disso. Há bem pouco tempo no Telejornal da RTPI, mostraram que as famosas laranjas do Algarve, este ano, por falta de chuva, têm um menor diâmetro o que lhes faz perder valor para a exportação. Dizia o agricultor que teria de as vender por metade do preço para as fábricas de derivados.
Entre países que têm rios como fronteira comum os conflitos são frequentes; aliás isso tem-se verificado entre Portugal e a vizinha Espanha. Ou é a poluição que passa de um país para o outro através da água, ou é a retenção da água de um lado fazendo diminuir drasticamente o caudal do outro lado.
Será que nós pensamos no grande dom natural que é a água e a respeitamos? É um dever moral e cívico não a poluir, não a desperdiçar, não a usar abusivamente, quando a alguns ela não chega para matar a sede. A falta de água potável é um dos muitos e graves dramas com que se debatem os refugiados de guerra. É a sua falta ou o uso dela conspurcada a causa de inúmeras doenças infeciosas, contagiosas e mortais que dizimam milhares e milhares de seres humanos em países mais que subdesenvolvidos – países que vivem abaixo dos limites da sobrevivência e da dignidade humana.
Lembremos também que a água é a matéria do Sacramento do Batismo, o que lhe confere, a meu ver, uma certa dignidade, para além do utilitarismo.
E agora uma pequena história, não verídica, como é óbvio. Num país da zona da Arábia, rico em petróleo e pobre em água passou-se o seguinte diálogo num posto de abastecimento, entre o condutor de um automóvel e o empregado do posto: “Por atestar o depósito com gasolina não é nada, mas por atestar o depósito de água são 50 dólares!”




