É, porém, um outro alerta de Marcelo que nós queremos sublinhar: Parar para pensar no Interior do país é outra exigência deste novo governo, que se terá antecipado ao criar um Ministério da Coesão Territorial, indo buscar para o dirigir Ana Abrunhosa, uma técnica que era responsável na Presidência da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro, com vasta experiência, portanto, neste setor, a quem atribuiu também dois secretários de Estados. O Desenvolvimento Regional, que estava anteriormente no Ministério do Planeamento e a Secretária de Estado da Valorização do Interior, afeta ao ex-Ministro Adjunto Pedro Siza Vieira.
Em nossa opinião, a este novo Ministério compete uma tarefa gigantesca, que é a de articular a sua política para o desenvolvimento do Interior, com vários outros setores da governação que, conforme as suas designações sugerem. Também têm competências dirigidas para a valorização do Interior e para o desenvolvimento regional, como são exemplos, as Infraestruturas e Habitação, o Ambiente e Alterações Climáticas, a Agricultura, as Florestas, para não falar no Ministério do Planeamento, que a bem dizer não poderá deixar de se preocupar com o desenvolvimento regional e com a valorização do Interior, que representa a maior fatia da área do território nacional.
É, de resto, uma das críticas que temos visto serem feitas por muitos analistas políticos, ao gigantesco número de membros do Governo, com 19 ministros e mais de 50 Secretários de Estado, cujas competências não podem deixar de se sobrepor em variadíssimos domínios.
Para nós, que vivemos no interior, o que devemos saudar é que finalmente vamos ter a quem responsabilizar pelas políticas que visem o desenvolvimento destes mais de dois terços do território nacional, que tem vindo a perder população, estiolamento da sua agricultura, silvicultura e pecuária, para já não falar da inexistência de projetos industriais capazes de alavancar a atração de quem vive nos grandes centros populacionais, em particular Lisboa e Porto, em difíceis condições de sobrevivência, quando poderiam regressar às suas terras de nascimento, para aqui desfrutarem de melhores condições de trabalho e de vida digna.
Concluindo: temos esperança que esta nova configuração do Governo, tão assumidamente responsabilizada para virar a página do desenvolvimento do interior, quer nas palavras do Presidente Marcelo, quer mais vincadamente pelo Chefe do Governo, passe das intenções aos atos. Pessoalmente cá estaremos para dar as nossas achegas e fazer as nossas propostas. Porque é esse o compromisso que temos com aqueles que nos leem semanalmente.


