Num investimento total de mais de 660 mil euros, vai começar em Outubro a recuperação de três casas do Bairro dos Ferreiros que serão transformadas, pela Câmara Municipal de Vila Real, em sete apartamentos para arrendamento social.
Enquanto algumas memórias se esvanecem com o ‘adeus’ dos seus moradores, outras estão assim prestes a nascer com o início de novas histórias de vida no Bairro dos Ferreiros, estando previsto que sete famílias carenciadas mudem a sua morada para os dois T1, dois T2 e três T3 que estão prestes a nascer nos três fogos adquiridos pela autarquia.
Armando Vieira, do Conselho de Administração da Vila Real Social, explicou ao Nosso Jornal que, na sua totalidade, o projecto aprovado pelo Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IRUH) prevê um investimento que poderá atingir os quatro milhões de euros, apoiados, a fundo perdido, até 45 por cento desse valor.
O projecto de regeneração urbana permitirá à autarquia intervir num conjunto de 32 habitações, não só no Bairro dos Ferreiros, mas em todo o centro histórico da cidade.
“Para já, concentramos a intervenção no Bairro dos Ferreiros”, explicou o mesmo responsável, sendo de sublinhar que além dos três fogos que entraram agora em obras, outras duas casas já foram adquiras (para a construção de três habitações de tipologia T3 e uma T1) e outras três, que poderão resultar na criação de mais oito apartamentos, estão em estudo relativamente à viabilidade dos projectos a elas associados.
No que diz respeito às três habitações cujas obras vão agora iniciar–se, Armando Vieira contabiliza que um cada um dos apartamentos a ser criados, com objectivo de servirem como habitação social, serão investidos uma média de 94 mil euros. A venda das habitações do Bairro da Araucária garante a liquidez financeira para avançar com o projecto, tendo já sido vendidas naquele bairro social cerca de 40 casas.
Depois da reabilitação de que foi alvo no âmbito do Programa Polis, com a requalificação de passeios, vias, iluminação pública e equipamentos urbanos, o núcleo urbano junto ao Rio Corgo, denominado inicialmente de Bairro de Santa Margarida (mas que graças à proliferação, há dezenas de anos atrás, de estabelecimentos comercias de ferreiros, ficou conhecido como Bairro dos Ferreiros) deverá agora contar com a revitalização humana, com a entrega das casas a jovens famílias dentro de aproximadamente 12 meses, o tempo necessário para a conclusão das obras.
“Graças à nossa intervenção, temos conhecimento que há moradores que estão a estudar a possibilidade de fazer obras nas suas habitações. O objectivo também é esse, criar uma onda de regeneração urbana”, sublinhou Armando Vieira.
Autarquia criou Gabinete para apoiar
“Preocupada com o despovoamento do centro histórico, a autarquia promoveu a criação do Gabinete Técnico de Habitação que tem como principal objectivo a recuperação habitacional em toda a zona antiga da cidade”, explica a Câmara Municipal de Vila Real, que, para além da candidatura já aprovada pelo IHRU para a aquisição e reabilitação de 32 casas, quer “continuar a atrair novos públicos para habitar e, simultaneamente, criar novos espaços capazes de dinamizar o núcleo urbano da cidade de Vila Real”.
O Gabinete disponibiliza assim “todo o apoio técnico (engenharia e arquitectura) na elaboração de projectos e acompanhamento das obras às famílias mais carenciadas que pretendam realizar obras de conservação e beneficiação habitacional no centro histórico”.
Nos últimos três anos, o Solarh, do Instituto de Habitação e Reabilitação Urbana (IRUH), já permitiu a requalificação de 15 habitações, estando três prestes a ser intervencionadas, contabilizou Armando Vieira, sobre a forte aposta da autarquia que já valeu ao concelho o título de “campeão nacional no apoio social à reabilitação de habitação”.
No total, graças à divulgação, dinamização e apoio técnico concedido pelo Gabinete de Técnico de Habitação vila-realense, já foram investidos na regeneração urbana ao abrigo daquele programa nacional mais de 216 mil euros, estando neste momento mais três projectos em obra, três aprovados e outros dois à espera de luz verde.
O Solarh “tem como principal objectivo promover a reabilitação de habitações degradadas a famílias com rendimentos mais baixos, através da concessão de empréstimos de, no máximo 12 mil euros, sem juros e durante o prazo até 30 anos”, cifrando-se a média das prestações atribuídas na ordem dos 35 euros mensais.
“A Vila Real Social faz tudo, desde a identificação das famílias pelas assistentes sociais até ao projecto da obra”, revelou o mesmo responsável, referindo que todo o aspecto burocrático é também assistido por técnicos da empresa municipal.
Sónia Rebelo, de 34 anos, foi uma das mais recentes contempladas pelo programa, que permitiu à vila-realense, residente em Tuizendes, na freguesia de Torgueda, realizar obras de recuperação na sua habitação com um orçamento na ordem dos 16 mil euros.
“Não conseguiria fazer a obra sem esse apoio”, reconheceu Sónia Rebelo, lembrando os momentos difíceis que passou, sobretudo no Inverno, devido à falta de isolamento térmico e às infiltrações que afectavam a habitação, onde reside com o marido e a filha menor desde 1999.
Além de uma nova cobertura e da intervenção ao nível do isolamento térmico e das paredes exteriores, o Solarh teve também um papel importante no redimensionar dos espaços da casa, que antes tinha apenas um quarto e agora tem dois, e na requalificação da casa de banho. “Hoje tenho muito conforto e muito que agradecer a quem me ajudou”, concluiu Sónia Rebelo.
Armando Vieira garante que o programa é para continuar, e para poder usufruir dele os vila-realenses interessados (que cumpram requisitos como, por exemplo, ter baixos rendimentos e ser proprietário da casa há pelo menos cinco anos) devem pedir mais informações junto da sua junta de freguesia ou nos serviços da Vila Real Social, cujo pessoal técnico prepara, a custo zero, todo processo, desde a apresentação da candidatura, à fiscalização da obra, passando pela execução do projecto e pelo cálculo do orçamento.


