Vila RealIVDP selou vinho generoso de uma adega de Abaças

IVDP selou vinho generoso de uma adega de Abaças

Serão mais de 150 os viticultores lesados por uma empresa que viu agora os seus vinhos generosos serem selados e impossibilitados de serem comercializados. Com dezenas de milhares de euros em dívida, os produtores ponderam recorrer aos tribunais.

A denúncia feita por um grupo de viticultores da existência de dívidas de milhares de euros levou o Instituto dos do Douro e Porto (IVDP) a proceder à selagem do vinho generoso de uma adega de Abaças, concelho de Vila Real.

Segundo noticiado pela Agência Lusa, no dia 27, a medida, prevista “no número 36 da Base IV do Comunicado de Vindima de 2011”, garante assim que o vinho fique “indisponível até à confirmação do pagamento aos viticultores”.

Até à hora de fecho desta edição do Nosso Jornal não foi possível obter mais esclarecimentos junto ao Instituto, no entanto, o processo de selagem do vinho generoso prende-se com um conjunto de várias queixas apresentadas por agricultores durienses que acusam a empresa, que estaria responsável pela adega, de não pagar o dinheiro pelas uvas que recebeu.

Segundo os próprios agricultores, na mesma situação estão cerca de “150 viticultores”, de várias localidades como Guiães, Poiares, Galafura, Vila Seca de Poiares, e outras dos concelhos de Sabrosa e Alijó, que entregaram as suas uvas à empresa Fernando Mendes & Bior, Lda sem receber em troca o pagamento devido.

As dívidas ascendem às dezenas de milhares de euros, como acontece por exemplo com Ernesto Lopes, viticultor de Abaças, que garante ter sido enganado pela empresa.

“Fiquei sem vinho, sem dinheiro e sem garrafões”, lamentou também José da Cruz Cardoso, outro viticultor lesado que garante que as instalações, de onde já foram retiradas “cubas, a balança, as coberturas”, estão fechadas “a cadeado”.

Os viticultores sublinham ainda que “desde janeiro” que não vêm o proprietário da empresa, correndo rumores de que estará “na China, Angola ou Moçambique”.

Além da medida tomada pelo IVDP de selar os vinhos, também a Casa do Douro já se mostrou disponível para apoiar os viticultores e “determinada a fazer deste caso um exemplo” na exigência de que, “no próximo comunicado de vindima, se encontrem medidas que protejam, clara e inequivocamente, quem trabalha todo o ano”.

Reunido com os agricultores, Manuel António Santos, presidente da Casa do Douro, recordou que é preciso “imenso cuidado na vindima”, para “não entregarem as uvas sem o competente contrato”, o que, “pelos vistos, foi o que aconteceu nesta situação”.

O Nosso Jornal tentou falar com o proprietário da Fernando Mendes & Bior, Lda., o que não possível até a hora de fecho desta edição, no entanto, segundo a sua página na internet, trata-se de “pequena e média empresa com alguns anos de história, situada no distrito de Vila Real, concelho do Peso da Régua, tendo ao seu redor freguesias como Galafura, Poiares, Guiães, Abaças, cujo principal produto das suas atividades é a produção de uvas para o famoso Vinho do Porto e vinhos de mesa”.

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