Vila RealJoana Rapazote: “Vou claramente defender os interesses do distrito”

Joana Rapazote: “Vou claramente defender os interesses do distrito”

No mês em que o actual painel do programa completa o seu 10 º aniversário de emissões, que semanalmente discutia a actualidade concelhia e regional com Armando Vieira e Rodrigo Sá, passou para o “outro lado da mesa”, para ser confrontada pelos dois companheiros de painel enquanto cabeça-de-lista pelo CDS-PP no distrito de Vila Real. Questões como a regionalização a reorganização nos serviços de saúde, a possibilidade de redução do número de deputados eleitos pelo círculo de Vila Real, foram alguns dos temas focados em mais uma edição do “Pontos nos J’s”. Conheça nesta edição alguns excertos do programa que será reemitido na íntegra, no próximo domingo, pelas 11h00. Na próxima semana, o convidado será Pedro Silva Pereira, do Partido Socialista, com a primeira emissão do debate ‘a ir para o ar’ no dia 24, pelas 22h00, em 104.3 FM.

Como tem sido estes primeiros tempos enquanto candidata cabeça-de-lista pela primeira vez?

“Ao fim de dez anos de programa na qualidade de participante no debate, e em certa medida como entrevistadora dos nossos convidados, estar no papel inverso é diferente. Relativamente a ser candidata, é complicado especialmente quando estamos a trabalhar a tempo inteiro, porque existe um conjunto enorme de solicitações as quais, naturalmente, temos que responder. Temos que corresponder a quem tem expectativas em relação à nossa candidatura, aos nossos concidadãos, temos que corresponder ao nível das instituições, procedimentos e burocracias. Depois também temos que pensar numa lógica de distrito e não apenas de Vila Real cidade. Aquilo que é importante para o distrito e não para o concelho, que eventualmente é onde eu me centro mais, embora tenha uma visão bastante integrada para toda a região”.

 

Partindo do princípio que era eleita, seria efectivamente uma deputada do distrito?

“Eu encabeço uma lista, que representa muito bem o nosso distrito. Tivemos a felicidade de ter um grupo de trabalho muito interessante, e eu não sou mais do que a pessoa que vai à frente. A nossa lista é para o distrito e tem uma preocupação muito forte em representar na Assembleia da República os interesses do nosso distrito”.

Segundo o líder do CDS-PP, uma das grandes diferenças entre o CDS e os outros dois partidos, é que não depende de caciques locais, tem um presidente que não tem prestar vassalagem a interesses meramente locais que muitas vezes não entram em linha de conta com o bem comum e com as ideias de Portugal enquanto um todo. Tendo Paulo Portas uma ideia definida de uma estratégia que não defende interesses locais ou regionais, defenderá o distrito, mesmo indo contra aquilo que é a orientação do partido?

“Vou claramente defender os interesses do distrito. Mas nunca contra as orientações do partido, até porque os interesses locais são nacionais. Ou seja, quanto melhor estiver representado o distrito e melhor estiver o seu desenvolvimento económico, quanto mais se apostar naqueles que são os interesses estratégicos de cada um dos distritos, quanto mais se promover de forma eficiente as suas marcas (Douro, Tâmega e Trás-os-Montes), melhor estará a economia do país. Essa lógica funciona de baixo para cima. O todo ganha quando a parte funciona bem. O que o Paulo Portas diz é que as políticas nacionais não podem ser subjugadas em interesses locais, que não servem o interesse do país. O nosso trabalho é mostrar que os interesses da região são coincidentes, ou seja, também são do interesse nacional”.

 

O distrito elege cinco deputados em 230, o que é uma minoria. Os deputados de Vila Real têm pouco peso no todo nacional, o que de facto lhes dá muito pouca margem de manobra para fazer vingar em Lisboa as suas reivindicações. Paulo Portas diz que vai aproximar os deputados dos eleitores ao reduzir o número para os 113. Como é possível que, com menos deputados, haja uma maior aproximação?

“Temos efectivamente cinco deputados, mas não é evidente o trabalho que esses cinco deputados tenham feito. Ontem, por exemplo, tivemos um encontro entre a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte com os cabeças-de-lista dos vários distritos, e posso dizer que do Porto estavam, mas em relação ao nosso distrito, a realidade não foi essa… Aqui se vê logo aqueles que estão nas nossas listas ao nível distrital e não representam os interesses do distrito. É certo que não é preciso ser-se de Vila Real para defender os interesses da população, mas era espectável que os deputados eleitos o fizessem, e isso não acontece. Não vejo que a mudança por essa medida seja para pior”.

 

Qual é a sua posição em relação à regionalização?

“Antes de mais temos que ver quais os interesses que a regionalização deve ou não servir. E quase que devolvo a pergunta… O que interessa saber em relação à regionalização? Acho que é importante esclarecer que existem temas que têm que ser tratados num âmbito territorial que se poderia aproximar da dimensão de região. E acho que há questões que são estratégicas para Vila Real que passam por essa dimensão, como por exemplo o turismo, temos que empreender a iniciativa económica na área do turismo e têm que ser encontradas as sinergias entre regiões e com o país neste nível da oferta. O Douro deve funcionar como uma unidade territorial turística. Acho que em relação a certos sectores, como o turismo, a floresta ou a agricultura, têm que ser trabalhados nesta dimensão, e isso já acontece. Da mesma forma que existem unidades descentralizadas do Governo. Já tenho mudado de opinião em várias situações, mas, por princípio, entendo que a regionalização não vai trazer mais-valias ao nosso distrito. Vai obrigar a multiplicação de estruturas por quantas regiões houver e obrigar a uma organização da rede em que continuará a haver uma capital de uma determina região. O que pode acontecer com a regionalização é corremos o risco de não representar melhor os interesses de Vila Real. Corremos o risco de, por não termos peso demográfico, estarmos sempre em desvantagem. A duplicação de meios e de estruturas do nível nacional para o regional não constitui uma vantagem certa”.

 

O que acha do modelo de reorganização no sector da saúde?

“O modelo tem que ser reavaliado. O que temos que assegurar, independentemente do modelo que é escolhido, é que os serviços estejam disponíveis aos cidadãos. Isso é que tem de ser garantido. O papel dos deputados é auscultar, perceber, avaliar, diagnosticar o que está mal e definir caminhos de forma a satisfazer as necessidades das populações. Criar condições para servir os cidadãos, e ainda para promover a fixação de pessoas. Quem está no litoral e quer vir para o interior procura um conjunto de serviços. É assim que se defende a região. A saúde, a educação, a cultura, são bens essenciais que têm que ser assegurados a todos os portugueses. Quais são as áreas estratégicas do distrito, são os serviços ou a indústria? Não. Então temos que de ver quais as áreas que trazem oportunidades, como por exemplo a agricultura e a floresta, e o que está a funcionar mal. Não em parece que seja relevante o modelo horizontal ou vertical das unidades de saúde, interessa-me é que todas as pessoas, de todos os concelhos, possam ter acesso a este serviço”.

 

Uma última reflexão…

“Estando nós num território rural, é importante dizer que o CDS-PP defende uma política para a agricultura de promoção da iniciativa e a revisão de um conjunto de instrumentos que até agora, efectivamente, não a têm servido, pelo contrário, têm afundado a agricultura. Os fundos comunitários têm sido muito mal canalizados e não tem havido qualquer esforço dos sucessivos Governos para a implementação efectiva da economia agrícola. Instrumentos como o Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER) têm falhado redondamente. O PRODER poderia trazer muito financiamento para o interior. A sua execução devia ser fiscalizada porque permitiria dotar a nossa região de competitividade, o que na nossa região não passa pelas grandes indústrias ou pelo aumento de exportações, mas sim pela via agrícola. A oposição PSD também tem feito poucas exigências a este nível. Era necessário que os apoios não se gastassem na máquina da atribuição dos apoios, mas que chegassem efectivamente aos agricultores e à economia rural de que depende o distrito”.

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