IgrejaJornadas Mundiais da Juventude Educar a fé

Jornadas Mundiais da Juventude Educar a fé

1- Aproxima-se a Jornada Mundial da Juventude em Madrid, nos meados de Agosto deste ano de 2011. Esta Jornada será a XXVI da série e a segunda realizada em Espanha.

Desta vez não poderei estar presente, mas ela faz-me lembrar a IV Jornada Mundial da Juventude em Santiago de Compostela, no Monte do Gozo, de 15 a 20 de Agosto de 1989. O nome de «gozo» vem–lhe do júbilo que os peregrinos idos da Europa central sentem ao ver aproximar-se a catedral de Santiago de Compostela. A pedido da organização dessa jornada, apresentei a um grupo de jovens portugueses, no interior de uma igreja galega por causa da chuva e nevoeiro dessa noite, uma catequese sobre «A Esperança, virtude típica dos Jovens». A igreja estava cheia e, anos depois, um jovem beirão que lá estivera pediu-me esse texto para utilizar na sua terra, sinal de que algo ficou.

2 – As Jornadas Mundiais da Juventude são uma invenção pastoral do Papa João Paulo II, um gesto cuja eficácia pastoral a muitos causou dúvidas por se afigurarem dominadas pelo espectáculo e alguma desordem.

A esse respeito, convém recordar que os jovens aprendem com a aventura e, de certo modo, a «desordem» foi já o cenário humano da multidão que ouviu Jesus, onde se misturavam pessoas já tocadas pela fé, como os doze Apóstolos, com gente curiosa vinda de toda parte. A parábola da semente aponta na mesma direcção: ela é lançada a todo o tipo de terra e frutifica sempre, quer a que caiu em terra boa quer a que caiu nas pedras. A participação traz muitas surpresas. De qualquer modo, deixa marcas inolvidáveis, quer pela deslocação, quer pelas celebrações, quer pela música, quer pelos encontros pessoais.

As Jornadas valem sobretudo pela preparação dos jovens que nelas participarão e pela reflexão levada a cabo por aqueles que, mesmo não se deslocando ao local da celebração, aceitam estudar o tema proposto.

3 – O tema da próxima Jornada é muito oportuno: «Alicerçados e edificados em Cristo, firmes na fé», e sobre a sua oportunidade convém reflectir um pouco.

Os textos oficiais preparatórios fornecidos pela equipa da Conferência Episcopal Espanhola versam «a sede de Deus», «a revelação de Deus», «a pessoa de Jesus», «a Igreja como prolongamento e sacramento de Jesus ressuscitado».

São os chamados temas de teologia fundamental da fé católica que permitem alicerçar e edificar a fé. A fé religiosa, ao contrário da descrença, corresponde aos apelos mais profundos do coração humano, a chamada sede de Deus; a essa sede antropológica responde Deus revelando-se ao homem; essa revelação atingiu o cume em Jesus Cristo; a Igreja é o prolongamento de Cristo na história. Esta metodologia conjuga muito bem a antropologia e a teologia.

É o estilo usado por Bento XVI nas suas catequeses semanais e nas homilias pontuais, e representa o esforço por dar à fé dos jovens uma componente de «racionalidade», o «contributo do Logos», um apelo constante dos lineamenta do próximo Sínodo.

4- De facto, o problema religioso não é hoje propriamente a descrença, mas a necessidade de apresentar a dimensão religiosa como respondendo aos anseios do coração humano, mas ultrapassando a subjectividade.

Um dos subtis inimigos da vida cristã é o sentimentalismo humano que fecha a pessoa em si mesma e corrói a catequese, os sacramentos e outros actos de culto. Educar é sempre fazer sair de si, conduzir aos pastos ou objectivos exteriores, segundo a imagem do pastor, abrir as pessoas ao real. Isto é especialmente verdade na vida religiosa. O grande obstáculo é fazer as coisas como cada um quer porque assim é que a religião é «agradável», as celebrações são «bonitas» e «dizem» alguma coisa. No fundo, tais atitudes centralizam-se no homem. É daí que nasce a tendência de celebrar o casamento religioso como apetece, com ritos e músicas mundanas; comungar com a indumentária prescrita pela moda, e, ultimamente bater palmas em funerais religiosos. É o mesmo espírito que leva um ou outro padre a presidir à Missa como quem dirige um festival, «porque assim se atraem os jovens».

Em tudo isso anda um desvio fundamental: colocar o centro dos actos religiosos na nossa satisfação sentimental. O centro do acto religioso é Deus, embora essa relação seja mais difícil de cultivar do que a relação com o mundo. Mas é naquele sentido que é preciso trabalhar com reflexão séria e educação dos sentimentos: o autêntico sentimento religioso nasce do encanto pela mensagem objectiva. O próprio Papa, que estará presente nas Jornadas pela importância dos jovens e pela pedagogia da sua presença, falou dessa jornada numa homilia feita aos cardeais em 2008 e preveniu que não quer ser a estrela em volta de quem rodopie a multidão de jovens: a estrela é Jesus Cristo em quem eles se devem firmar e apoiar. Bento XVI, mais que octogenário, saberá dirigir-se aos jovens com palavras a que não faltará a poesia da fé, mas que serão sempre serenas e objectivas

Ajudemos os jovens.

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