A Santa Casa da Misericórdia de Vila Pouca de Aguiar inaugurou, no dia 20, o seu novo lar de idosos, um equipamento que custou cerca de 1,5 milhões e que poderá ver a sua capacidade aumentada de 24 para 30 utentes.
“Aguardamos com ansiedade as novas regras que o Governo vai apresentar que vão permitir que os lares possam ter mais utentes do que têm atualmente. Nessa altura, apresentaremos de imediato a candidatura, porque o lar tem condições para ter mais que os 24 utentes previstos inicialmente”, explicou Domingos Dias, que acumula o cargo de provedor da Misericórdia local ao de presidente da Câmara Municipal.
Segundo o mesmo responsável, apesar de para já a lotação do lar, que entrará em funcionamento no início de fevereiro, ainda ser de 50 por cento, “facilmente a capacidade será esgotada”, tendo em conta que a Santa Casa aguiarense tem uma lista de espera de cerca de 80 utentes.
Tal como tanto outros concelhos do interior do país, Vila Pouca de Aguiar “sofre com o envelhecimento e a desertificação”, lembrou Domingos Dias, referindo que, segundo os últimos censos, o concelho conta atualmente com 4.860 pensionistas, que representam mais de 30 por cento da sua população.
O autarca fez ainda as contas da gestão do novo equipamento, explicando que cada idoso representará um investimento de 1.100 por mês à Santa Casa, dos quais uma média de 217 euros mensais são assegurados pelos próprios utentes e pouco mais de 350 euros pelas comparticipações da Segurança Social. Para dar resposta ao défice de mais de 400 euros por utente que tem que ser garantido pela Misericórdia, tendo em conta que, na sua maioria, “as famílias não têm capacidade para suportar esses custos”, foi necessário encontrar formas de rentabilizar o espaço, tendo sido assim criado um Centro de Reabilitação e um auditório que pode ser alugado para conferências, colóquios e espetáculos.
“Nós temos a preocupação de sermos autossustentáveis. A questão de incorporarmos no lar uma zona de fisioterapia e um auditório irá proporcionar algumas receitas que vão cobrir aquele que é o défice da parte das comparticipações dos utentes que utilizarem esta casa”, sublinhou o provedor.
A cerimónia de inauguração foi presidida por Marco António Costa, secretário de Estado da Segurança Social, que explicou que, relativamente à possibilidade de aumentar a capacidade instalada nos lares de terceira idade (aumentando de dois para três o número de idosos por quarto), o Governo não está “a alterar regras nas diversas respostas sociais por sua exclusiva iniciativa”, está sim a trabalhar em estreita colaboração com técnicos das Misericórdia, Mutualidades e Instituições de Solidariedade e da Segurança Social.
“O país tem, felizmente, capacidades instaladas que estão suficientes aproveitadas e que podem ser rentabilizadas. Estamos a falar em simplificar as normas para, garantindo qualidade e a segurança destas instituições e dos seus utentes, permitir que mais pessoas acedam às respostas sociais”, sublinhou o governante.
Fundada em 1937, a Misericórdia aguiarense conta com várias valências, somando 57 utentes em lar, 142 em apoio domiciliário, 52 em centro de dia e 20 em centros de convívio, sendo de sublinhar que o lar agora inaugurado é o segundo do concelho (o primeiro está a funcionar há duas décadas).
Marco António Costa começou o seu périplo de um dia no distrito com a visita ao infantário “Baguinho”, na Régua, seguindo-se depois a inauguração do lar de idosos de Vila Pouca. No início da tarde, o governante visitou o Centro Social Nossa Senhora de Lurdes, em Bornes de Aguiar, acabando o dia a presidir a sessão de encerramento do Seminário “IPSS’s e Agora? Que Futuro?”, realizado em Chaves.




