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Lar Residencial abriu em Alijó

Um projecto da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Com Deficiência Mental de Vila Real – Sabrosa, APPACDM, em parceria com a Câmara Municipal de Alijó, possibilitou a construção de uma moderna unidade de acolhimento para deficientes adultos, num investimento a rondar os 900 mil euros, comparticipado pelo Programa de Alargamento de Redes Sociais, PARES.

O Lar Residencial da APPCDM de Sabrosa, instalado em Alijó, foi um projecto realizado em parceria com a Câmara Municipal de Alijó, que irá dar apoio às pessoas com deficiência neste concelho.

O objectivo inicial passava por instalar um Centro de Actividades Ocupacionais, ideia que ainda não foi abandonada, mas, entretanto, como a candidatura que abriu para o Programa PARES só permitia a construção de lares residenciais, a instituição decidiu avançar com a estrutura. “O investimento total rondou os 900 mil euros. É uma construção no âmbito do programa PARES, que tem uma componente de financiamento público. A Câmara Municipal cedeu o terreno (1300 metros/2) e apoiou também financeiramente a obra. “É uma boa prenda para as pessoas com deficiência do distrito de Vila Real”, contou, ao Nosso Jornal, Luís Correia, director da APPCDM de Sabrosa.

Neste momento, o Lar Residencial alberga 24 adultos e recebe utentes a partir dos 16 anos. O projecto comporta duas valências: um lar residencial destinado a 24 adultos com deficiência mental e tem também uma residência autónoma que pode vir a receber mais 5 adultos, adultos esses que tem a possibilidade de estar inseridos na comunidade.

A área de influência do novo equipamento abrange todo o distrito. “É uma estrutura de âmbito distrital. Temos deficientes de Alijó, Murça, Chaves, Vila Pouca e Valpaços. Temos uma equipa de colaboradores permanentes, pois este lar trabalha ininterruptamente, 24 horas por dia durante os 365 dias do ano”.

Luís Correia realçou a importância do Lar/residencial como elemento importante de apoio social. “Ainda bem que as pessoas com deficiência vivem muito mais tempo. É sinal que estamos a conseguir prolongar a esperança de vida. Mas, algumas famílias têm demonstrado cansaço para acompanhar os filhos e por isso é importante para elas ter uma estrutura destas. Para nós, é muito agradável ver agora, ao sábado e domingo, uma série de famílias que vêm aqui visitar os jovens. Levam-nos para passar o dia e não perdem o contacto com eles”.

 

Falta de Centros de Actividades Ocupacionais no distrito

No distrito de Vila Real sente-se a falta de Centros de Actividades Ocupacionais, CAO. “Ainda há muito a fazer ao nível dos CAO, mesmo nesta área residencial. Há muito mais procura do que oferta e nós temos uma lista de espera muito grande. Temos cerca de 40 pessoas à espera para entrar”, contou Luís Correia.

Este responsável adiantou que poderá vir a ser criado um Centro de Actividades Ocupacionais em Alijó. “Está programado e já estamos a fazer um esforço junto da Câmara Municipal e do Centro Distrital de Segurança Social de Vila Real para que a abertura desse CAO seja uma realidade. Esse futuro centro viria solucionar o problema de deslocação dos nossos utentes para Sabrosa. Ou seja, todos os jovens do Lar Residencial continuam a ir diariamente para Sabrosa, vêm apenas dormir aqui, em Alijó. Nós temos uma sala de convívio, aqui não há espaço para outras actividades, por isso é que vão todas as manhãs para Sabrosa. Por isso, pensamos construir o centro de actividades ocupacionais ou fazer um centro numa dessas escolas primárias que estão fechadas aqui em Alijó. Estamos a negociar com a Câmara até já sugerimos um espaço”.

 

Investimento avultado

A presidente da APPCDM de Sabrosa, Helena Lapa, abordou ao Nosso Jornal o suporte financeiro deste equipamento, salientando que “foi feito um esforço considerável”, porque os desvios da obra foram muito significativos. “Prevíamos um desvio a rondar os cem mil euros, mas foi bastante mais do que isso. Tivemos de contratualizar um financiamento de 250 mil euros, que em conseguimos boas condições. Para além de 100 mil euros que era a poupança que tínhamos, foram necessários mais quinhentos mil euros da nossa parte. As contas ainda não estão completamente fechadas, mas serão cerca de 900 mil euros”.

Helena Lapa salientou a importância da ajuda da Câmara de Alijó neste processo. “Para além de nos auxiliar na fiscalização da obra, a Câmara Municipal teve dois técnicos a acompanhar sempre o empreendimento e deu ainda um donativo de 50 mil euros. Cedeu o terreno e o caminho que vai dar à instituição, e agora também irá fazer os arranjos exteriores, com um projecto da autoria da arquitecta paisagista da autarquia”, referiu.

A presidente da instituição sublinha que esta obra foi de facto um marco importante da actividade da APPCDM. “É um marco não só pela obra mas pelo espírito de descentralização que nós próprios temos em relação à instituição e à zona geográfica, ou seja, não nos limitamos a Sabrosa. Queremos ir ao encontro de outros concelhos, neste caso Alijó que era o mais próximo e com mais necessidades também”, realçou.

A próxima ambição passar por concretizar o centro de actividades ocupacionais. “Às vezes, os tempos de crise estimulam a sonhar e depois a concretizar projectos. Apesar de não termos fundos próprios, nem haver fundos comunitários disponíveis, vamos avançar, para já, com a primeira fase, que passa por arranjar um espaço que permita abrir um centro de actividades ocupacionais”.

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