Que vergonha Portugal, num tempo em que médicos, enfermeiros, auxiliares e outros combatentes contra a atual pandemia, sacrificam as suas energias, o tempo com a família e até mesmo a sua própria vida em prol dos outros, é inacreditável que ponham em questão a legalização da morte medicamente assistida.
É um atentado ao valor da vida, à segurança social e à solidariedade defendidas nos artigos 63 e 24 da Constituição Portuguesa, nos quais contam que “a vida humana é inviolável” (artigo 24). “Todos têm direito à segurança social” e “o sistema de segurança social protege os cidadãos na doença, velhice, invalidez” (artigo 63).
Com isto pergunto-me: Onde é que está a segurança social num país que permite a morte voluntária de um cidadão? Que tipo de bons pais permitem que os seus filhos ponham em causa a sua própria vida?
Que tipo de solidariedade é esta que abandona aqueles que mais precisam de amparo nos momentos em que são alvo do seu desespero?
É verdade que há situações de muito sofrimento. Mas nunca fomos desprovidos da dor. Viemos ao mundo porque houve a dor das nossas mães, com dor nascemos e com dor viveremos, esta é a nossa natureza. E cada vez mais, com os avanços da medicina, se tem suavizado esta condição aderente à vida e que tanto tememos. Existem várias maneiras de combater o sofrimento e a eutanásia não é uma delas.
O dever do Estado é garantir a conservação da propriedade do Homem que renunciou a sua liberdade e se sujeitou à submissão para ter essa mesma garantia (Jonh Locke). Essa mesma propriedade é a vida, o bem mais precioso do homem, que deveria assim ser inviolável.


