Terça-feira, 19 de Outubro de 2021

Lembrando Francisco Sá Carneiro

1981, aldeia do Cercal, no termo de Vila Nova de Ourém. Dia de inverno. Almoço da família Pereira Novo na adega que tem a meio uma enorme lareira. Todos, ali, gente com alma até depois de Almeida que lutou contra o PREC que nos queria impor outra ditadura, cobardemente, com as costas quentes em militares vendidos. Venho com eles desde os bancos do Colégio de Tomar e ficámos sempre juntos neste amor inteiro por Portugal e pela Liberdade. Após o repasto, sentei-me à lareira a tomar café com o patriarca da família, o meu compadre António, que pôs no mundo sete filhos e me achou boa madrinha de casamento para três deles. Tinha, em moço, assistido ao milagre do Sol, em Fátima, e era homem de fé inquebrantável. Subitamente, disse-me baixinho: “Quem me dera ter aqui o Sá Carneiro”. As lágrimas a saltarem dos olhos.

-PUB-

Anos mais tarde, a Ti Júlia, sua viúva, já a não poder trabalhar, passava os dias a rezar o terço. “Muitos terços reza vocemecê”, diziam-lhe. E ela, numa grande inocência: “Ora, então, é um pelo meu homem, outro pela minha Isabel, outro pelo meu Armindo, outro pela minha família toda, outro pelo Dr. Sá Carneiro”.

Histórias como estas, tenho dezenas. Francisco Sá Carneiro era amado pelo Portugal rural, o Portugal da terra. Pelo povo modesto das cidades. Não precisaram de 1974 para saber quem ele era, todos sabiam que era “aquele rapaz do Porto que se entesou na Assembleia Nacional do Marcelo”. E isto era muito importante para quem estava farto do regime e dos

Artigo exclusivo PREMIUM

Tenha acesso ilimitado a todos os conteúdos do site e à edição semanal em formato digital.

Se já é PREMIUM,
Aceda à sua conta em

Mais Lidas | opinião

O povo é quem mais ordena

Ferrovia Boas Notícias

Beneficiou da Moratória?

Subscreva a newsletter

Para estar atualizado(a) com as notícias mais relevantes da região.