Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Linha do Douro Inexplicável

O nosso Jornal alertou-nos mais uma vez na semana passada, para o que se passa com as obras de modernização da Linha do Douro, que é a infraestrutura básica para o desencravamento de toda a região do Alto Douro Vinhateiro.

A notícia referia as preocupações da Câmara Municipal da Régua e acrescentava que até a Comunidade Intermunicipal do Douro – CIMDOURO, onde se agrupam os 19 Municípios da Região Demarcada, através do seu presidente, já tinha enviado uma carta ao Ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, onde exige explicações urgentes a propósito de uma decisão que diz ser incompreensível, prepotente e enganadora, ao cancelar o projeto de eletrificação da Linho do Douro, no troço entre Marco de Canaveses e Peso da Régua.

A gente lê e não acredita. Então uma via cujas obras de requalificação, embora a passo de caracol, estão a decorrer, são agora, sem nenhuma explicação, CANCELADAS? Não dá mesmo para acreditar. Vamos recordar, porque se isto é verdade, é um dos maiores atentados que se está a cometer para com toda esta gente que ainda resiste viver em Trás-os-Montes e Alto Douro.

Desde há pelo menos dez anos a esta parte, quer os Municípios, quer a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial, bem como outras Associações Empresariais, se vêm empenhando, junto dos Governos nacionais e junto da União Europeia, no sentido de converter novamente esta via ferroviária, no interface de ligação desde o Porto de Leixões em Matosinhos, via Barca de Alva, até Salamanca em Castela-Leão, para a ligação natural à Alta Velocidade, até Madrid. Um corredor ferroviário, com enormes potencialidades de tráfego, do ponto de vista comercial, turístico, e fundamental para a diminuição da pegada ecológica provocada pelo transporte de mercadorias e passageiros por camião ou autocarro, como sucede presentemente.

Este propósito (projeto?) foi declarado pelas instâncias comunitárias, como prioritário nas ligações transfronteiriças, como por diversas vezes, nós e muito outros intervenientes temos vindo a anunciar. O que significa que é a própria União Europeia quem financiará este mais que justificado empreendimento. O que se tem pedido apenas às autoridades portuguesas é que mandem elaborar o respetivo projeto (ele próprio objeto de financiamento, cremos que a 85 % do seu encargo), porque a iniciativa de obra tem que competir às autoridades nacionais. Não é a União Europeia que pode vir fazer ou mandar fazer obras, nos territórios nacionais. 

-PUB-

Então com esta abertura toda, há governantes que não só não dão conformidade a estes tão claros objetivos, como ainda mandam cancelar a pouca obra em curso na área do Marco de Canavezes? 

Então para que queremos, Ministros de Planeamento, das Infraestruturas, da Coesão Territorial para além dos vários Secretários de Estado apensos a cada um deles? 
Assim não! Está na altura de as diversas entidades regionais, CIMDOURO, Liga dos Amigos do Douro Património Mundial, outras Associações e população em geral tomarem ações de outra natureza, porque já se percebeu, que assim, não vamos lá. É hora de agir e de não nos resignarmos. Basta!

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