Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2023
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Emanuel Camilo
Emanuel Camilo
Presidente da NERVIR – Associação Empresarial

Lucros e ética empresarial

Há 50 anos, Milton Friedman disse uma frase que se notabilizou no mundo empresarial - “The business of business is business”.

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Foi uma forma de expressar que as empresas e a sua gestão apenas se preocupavam com os lucros sem ter em linha de conta responsabilidades sociais e ambientais. Efetivamente, há economistas que defendem que o excessivo foco no lucro ao acionista, preterindo os restantes stakeholders, impede os gestores de construirem políticas de longo prazo que dariam perenidade ao negócio. Por outro lado, a carreira dos executivos de topo no mundo empresarial é cada vez mais de rápida ascensão e curta duração, permitindo aos seus atores aceder ao apetite de prémios de desempenho avultados, fazendo tudo ao seu alcance, por vezes não olhando a meios, para atingir os objetivos.

Como exemplo, com as disrupções provocadas pela transição climática, as questões ambientais encontram-se hoje no centro das discussões sobre ética empresarial. A utilização do “greenwashing”, em que a empresa comunica a sua responsabilidade ambiental sem, contudo, produzir ações concretas, simplesmente revela que as suas políticas apenas contribuem para a sua imagem ecológica e ambiental.

Outro bom exemplo é o facto de muitos fabricantes estarem a aplicar métodos de remuneração insuficientes para a rentabilidade dos seus distribuidores, permitindo-lhes um controlo estreito sobre a política de preços. Utilizam esta estratégia, aproveitando a transição digital, para alterar os modelos de distribuição e aumentar substancialmente os seus lucros. Para além de legalmente questionável, é com certeza uma atitude eticamente reprovável demonstrando desrespeito pelos intervenientes na logística de distribuição.
Nas sociedades que privilegiam os dividendos ao acionista, permitem ao gestor, que cumpre os seus desígnios, normalmente de curto prazo, fazer carreira, acabando por conseguir deambular de empresa em empresa, não estando o futuro nas suas principais preocupações. Esta postura conduz a uma cultura de falta de ética, falta de intervenção social e responsabilidade ambiental e de desenvolvimento sustentável. Mais ainda, é responsável pela cada vez maior desigualdade salarial entre as diferentes hierarquias dentro da organização.

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