Sábado, 25 de Março de 2023
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“Macedo de Cavaleiros é a capital da caça maior”

Eleito há dois anos, João Alves fará a sua primeira feira como presidente da Federação, devido à pandemia de Covid-19. Mas não é um novato nestas andanças, pois já fazia parte de direções anteriores. O gosto pela caça começou aos 13 anos, quando lhe deram um cão. Foi com ele passear para o monte e foi ele que lhe incutiu este gosto, já que não tinha caçadores na família. Depois, quando já era maior de idade, um grupo de caçadores convidou-o para os acompanhar a uma batida de coelhos, gostou e nunca mais parou. “É uma paixão que me move até hoje”.

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A Feira da Caça e do Turismo está aí à porta. O que poderemos esperar desta edição, após a pandemia?

Há muito para mostrar e ver. Os principais eventos estão ligados à caça, sobretudo as montarias, que serão quatro, uma na quinta-feira, duas no sábado e outra no domingo. As atividades principais são as provas de Santo Humberto, falcoaria, corridas de lebres e de galgos, entre outras.

Esta articulação entre a Câmara Municipal e a Federação das Associações de Caçadores da 1ª Região Cinegética tem funcionado bem?

Sim, é uma parceria em que a Câmara trata da organização ao nível das naves, enquanto nós tratamos de todas as atividades cinegéticas.

Qual é a importância desta feira para o concelho e para a região?

É considerada a maior feira do país a nível cinegético e é muito importante para a atividade. Traz dinâmica à economia, que se nota não só no concelho, mas também na região, isto porque o alojamento das cidades vizinhas também ficam esgotados. Já os restaurantes estão sempre cheios e ainda mexe com os produtos regionais e outros artefactos ligados ao setor da caça. Como temos uma procura muito superior à nossa capacidade de acolher expositores, é sinal de que aqui se faz negócio.

De onde vêm os caçadores para as montarias?

Para além de Portugal, vêm de Espanha, Suíça, Luxemburgo, França (alguns são emigrantes, outros não). Este ano virá um jornalista de França para fazer uma reportagem, que será publicada numa revista dedicada à caça, o que é muito positivo para divulgar as nossas potencialidades por esse mundo fora.

Como está a Federação?

Poderia estar melhor, se tivéssemos mais apoio do Estado. Há uns anos ficávamos com uma percentagem das licenças de caça que vendíamos. Agora não, desde que as licenças de caça passaram a ser tiradas nos multibancos, o Estado prometeu-nos que iriam dar 30% às federações e nós distribuímos 18% desse valor pelas associações. Mas nada foi feito e o Estado ficou com o valor na totalidade. Hoje, vivemos essencialmente das quotas dos associados, que é muito pouco, de serviços que prestamos e, no nosso caso concreto, temos um grande apoio da Câmara Municipal de Macedo de Cavaleiros.

Quantos associados têm e que apoios prestam?

Temos 200 associados, a quem prestamos apoio a nível de secretariado, na organização de montarias, além de os representarmos a nível governamental.

Qual o retrato que nos pode fazer sobre a caça na região?

Está mal. A caça menor atravessa um período muito difícil, que se deve a dois fatores: primeiro, o aquecimento global do planeta, que já se nota bastante nas espécies, uma vez que não se desenvolvem da mesma forma. Outro fator, que tem contribuído muito para a diminuição da caça menor é o uso de pesticidas e herbicidas nos solos. A caça alimenta-se do que há no campo e se nós estamos a inquinar a comida, isso vai refletir-se no ecossistema.

Apesar de tudo, a caça sofreu uma grande melhoria ao nível do ordenamento. O país ficou ordenado com zonas de caça turísticas, associativas, etc. Nesse aspeto, melhoramos. Agora ao nível da caça em si, de efetivos, a caça menor está pior. Já na caça maior, nunca houve tanta como agora. Macedo de Cavaleiros é mesmo a capital da caça maior, o que nos permite alavancar a nossa feira de forma sustentável e é o que traz mais caçadores até cá. Antigamente, vinham muito caçadores da lebre e perdiz, agora quem vem de fora (90%) vem à procura da caça maior.

“Há cada vez mais mulheres a caçar na nossa região, essencialmente nas montarias”

É caro ser caçador?

Sim, mas ainda há muitos caçadores. Por exemplo, para se ter uso e porte de arma, gasta-se na ordem dos 500 euros. Uma arma barata também anda por esse valor. O caçador não se contenta com uma arma e depois quer uma carabina e outros modelos.

O setor continua a atrair as mulheres?

Há cada vez mais mulheres a caçar na nossa região, essencialmente nas montarias. Gostam de caçar, sobretudo a caça maior. As mulheres representam cerca de 3%, mas está a aumentar o seu gosto por esta arte.

Há cada vez mais pessoas a criticar a prática da caça?

São grupos fundamentalistas, porque a caça sempre existiu. Eles falam contra a caça, mas quando se vê os javalis a invadir os campos e até os centros das cidades, toda a gente entra em pânico. É sinal que os caçadores fazem falta. Será que os animais que são consumidos pelas pessoas são consumidos vivos? Não entendo essas posições extremistas. Agora há diferença entre um caçador e um matador. Um caçador não mata os animais por matar, ele anda na caça para caçar, ou seja, é uma arte o caçador ter a habilidade de ser mais esperto do que o animal e conseguir caçá-lo. Há uma dicotomia entre um e o outro, um quer sobreviver e outro quer apanhá-lo. É apenas uma paixão que move os caçadores.

Quais são as expectativas para esta 25ª Feira?

Já tínhamos saudades e as expectativas são boas. Já atingimos um patamar elevado e não é muito fácil implementar novidades, no entanto, queremos manter o nível e esperamos receber muita gente.

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