Existia uma grande sede de liberdade e de esperança entre a juventude, que se sentia manietada por poderes e mentalidades autoritárias e conservadoras que já não tinham sentido. Nunca mais as sociedades europeias foram as mesmas a partir do maio de 68. Algumas das ideias e propostas sugeridas pelos contestatários acabaram por ser acolhidas e iniciou-se a tão almejada transformação familiar, empresarial, política, económica e social. Movimentos como o feminismo, a ecologia, assim como o polémico politicamente correto que hoje vigora, e ideias como a autonomia do indivíduo, o relativismo, o subjetivismo, a liberdade sexual, tiveram ali o seu impulso.
Pergunto-me se não exagerámos na liberdade sexual e se não temos de a repensar. A família passa por grande instabilidade, com grande repercussão nas relações entre os seus membros, na educação dos filhos e na sociedade. O império do prazer tem promovido a imaturidade e diluído o casamento e a capacidade de entrega e compromisso, fundamental nas relações humanas. O consumo de pornografia está a atingir níveis nunca vistos. Segundo relatos médicos, todos os dias, jovens entram nos consultórios com impotência sexual e manifestam incapacidade de viver um namoro saudável. A masculinidade começa a manifestar sintomas de crise. Constatamos diariamente como estamos diante de uma sociedade viciada em erotismo e sexo, coadjuvada por um bom número de drogas que foram desenvolvidas para a alta performance sexual. A sexualidade está transformada em fonte de escravatura e não de amor sadio e realização humana, limitadora da liberdade e de uma vida sexual sã e humana. E não esquecendo o grande número de mulheres forçadas a alimentar esta voracidade sexual.
Não defendo a regressão aos tempos do conservadorismo, mas também não me parece que seja bom uma sexualidade descontrolada, libidinosa, deseducada, sem valores, fonte de escravidão e desumanidade.



