Segunda-feira, 8 de Dezembro de 2025
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IgrejaManuel Alves: um padre barrosão “à procura…”

Manuel Alves: um padre barrosão “à procura…”

Diz o povo que “quem procura sempre alcança”. Este clérigo de Barroso que nunca tirou da bagagem o amor à sua Terra – Parafita – depois de ter paroquiado outras terras foi colocado em Valpaços, onde, desde há décadas, é o arcipreste, por eleição entre os seus pares concelhios. Como barrosão de fibra, sempre primou […]

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Diz o povo que “quem procura sempre alcança”.

Este clérigo de Barroso que nunca tirou da bagagem o amor à sua Terra – Parafita – depois de ter paroquiado outras terras foi colocado em Valpaços, onde, desde há décadas, é o arcipreste, por eleição entre os seus pares concelhios. Como barrosão de fibra, sempre primou pela frontalidade, pela busca de mais e melhor para o seu redil, pela defesa dos valores tradicionais, para o que é preciso ter a língua perto dos dentes, dizendo sim quando a palavra não pode ser outra e dizendo não quando não deve dizer-se sim. Essa franqueza tem-lhe custado alguns ataques velados, mas também diz o povo que apenas se atiram pedras às árvores de fruto.

Em 1986, o então Bispo, António Cardoso Cunha, reconhecendo as excepcionais apetências do pároco de Valpaços para a investigação da problemática da adolescência e da formação da personalidade, apoiou-o para frequentar, em Bruxelas (Bélgica), no Instituto Lúmen, da Universidade de Lovaina. Resultado dessa pós-graduação na áreas da psicologia de grupo e do psiquismo religioso foi uma edição de mil exemplares do livro “Á Procura do Adolescente e do Deus do Adolescente”. Já antes tinha publicado “Caminhos do Reino”, sobre a Pastoral. E, depois de ambos, mais sete se seguiram, o último dos quais “A Monografia de Valpaços”, numa clara homenagem à sua aldeia de origem e às Gentes que o viram nascer, crescer, singrar na opção de vida que tomara. Um ano depois, apercebeu-se que o fruto da especialização, obtida no Curso Superior de Teologia Pastoral da Lumen Vitae, estava esgotado e que o tema se mantinha actualizado. Decidiu fazer uma reedição daquele tratado que vivamente recomendamos. Tem una dúzia de capítulos, cada qual o mais importante: “O psiquismo e a fé”, “A plenitude da posse e a expressão da graça”, “O adolescente”, “O outro”, “Que consciência”, “A fé sentimento”, “Culpabilidade”, “Viver em plenitude – fé adulta”, “O nosso lugar perante os jovens” e “Psicologia e educação”.

São cerca de 260 páginas de uma leitura que refresca o psiquismo religioso, alicerce de toda a estrutura psicológica de cada ser humano.

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A propósito deste sacerdote Barrosão que tem cumprido, em toda a linha, com as suas responsabilidades eclesiásticas e pedagógicas, ocorre-me exaltar outros padres da nossa comunidade diocesana, mormente da comunidade barrosã. Talvez por ser o concelho de Montalegre daqueles que, até ao século XIX/XX, mais distante estava dos grandes meios e também pelo facto de ser numa sua aldeia (Gralhas) que existiu o primeiro Seminário da Diocese de Vila Real, sendo ainda vivo, pelo menos, um padre que aí iniciou os seus estudos (Vital Capelo, natural de Salto e a viver na Régua), Montalegre foi sempre aquele que (à excepção de Vila Real) mais seminaristas e mais padres deu à sociedade. O Notícias de Barroso, numa louvável, acção conjunta com a Câmara Barrosã, iniciou um ciclo de palestras sobre figuras que fizeram (e continuarão a fazer) parte da história real da região. Não só padres, porque em todas as actividades do saber, eles se impuseram. Mas o maior número situa-se entre o Clero. Já foram invocados dois: Monsenhor João Gonçalves da Costa e João Moutinho de Carvalho, há pouco falecidos. Mas há muitos mais que, igualmente, merecem ser lembrados: António Calvão, José Maria Gonçalves (mais conhecido pelo Padre Duque, pároco de Beça), Padre Manuel Baptista, Padre Caridade, Padre Artur, Padre Gil, Padre Domingos Barroso, Padre Gonçalo Barroso Pereira, Padre Domingos Pereira, D. Joaquim Álvares de Moura… isto para apenas citar de cor e de entre os que nasceram no concelho. Porque vivos e com obra realizada, continuam os Barrosões a ter figuras de proa, como Monsenhor Fernando Miranda, Lourenço Fontes, Padre Feliz, etc. etc.

A par do Clero, há personalidades mortas e/ou vivas que, ontem como hoje, deram à sociedade, em todos os ramos do saber, contributos dos mais valiosos. E há que puxar do nosso património humano para reafirmar, alto e bom som, que as Terras de Barroso estavam no espírito Torguiano, quando, durante o II Congresso Transmontano, em 1941, proclamou o “Reino Maravilho”. Ele conhecia-o bem e, por isso, a sua pena não o traiu.

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