Na última semana, Luís Mendonça apresentou um interessantíssimo artigo intitulado “Eleições à porta – o meu voto está definido”. Não sei se o meu pensamento irá ao encontro do autor do escrito. Na verdade, as obras do orgulhoso túnel do Marão, que encerrará a não menos vistosa e simploriamente proclamada auto-estrada da justiça têm servido para o aplauso de muitas estatísticas relacionadas, quase todas, com o emprego (centenas de trabalhadores, dezenas de empresas ligadas ao túnel e auto-estrada). José Sócrates, em precoce campanha eleitoral, já se mostrou em mangas de camisa e sem capacete de protecção (uma falha dos assessores de imagem, decerto), numa pose espaventosa, desenhando os números presentes. Não mencionou, convenientemente, os que dizem respeito ao futuro, pois esses reduzem-se a praticamente nada. Acontece que num momento destes, em que a mais valia de qualquer político reside na apresentação fria e distante de números, de estatísticas, os políticos em geral sabem que é isso que pode fazer a diferença. Por isso, o registo discursivo da campanha eleitoral não interiorizará, estou certo, mais do que este papaguear numérico. Será porventura os que as pessoas querem ouvir. Confesso que, quanto a isso, tenho também as minhas dúvidas.
Daí que fique sempre incomodado quando passo no itinerário IP4 e olho para a devastação da serra. De um lado, a auto-estrada e o túnel; do outro, grandes manchas de nada numa espera contínua e frustrada de um salvamento.
Portugal é um país retalhado. Facilmente verificamos isso quando percorremos as estradas do país. A União Europeia tem 13 km de auto-estradas por 100 mil habitantes, quando Portugal tem 17 km. Foi o segundo país que desde 1990 e até 2006 registou a maior expansão na rede e é também o segundo país com mais quilómetros (8,3 km) por mil milhões de dólares de PIB, apenas ultrapassado pelo Canadá. O centro do país é o paradigma deste
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