É um prazer para eles, decerto, “inventar” novas iguarias, mas não parece que as suas propostas peguem de estaca: as pessoas gostam de comer bem e optam, antes, em casa ou nos restaurantes, pelos pratos cujas receitas mergulham já no fundo dos tempos. Poderá ser a alheira ou as tripas, a batata ou o feijão.
As “Sete Maravilhas de Portugal à Mesa” que esta semana decorreu mostraram isso bem. Delas, duas mesas são transmontanas: a de Vila Real e a de Mirandela. Houvesse mais maravilhas e bem podiam acrescentar-se outras, como as de Chaves (o pastel), da Terra Quente (o folar), do Alto Tâmega (a castanha) ou do Barroso (o fumeiro). As nossas mesas acompanham o leitão e o espumante da Bairrada, a chanfana de Coimbra, o anho e o alvarinho de Monção (o anho), os Açores e o Algarve. As maravilhas são, na verdade, as que se identificam, pela alimentação, com a ancestralidade. Nelas não cabem as experiências “gourmet” nem conceitos com que a industrialização alimentar procura convencer o consumidor. É o caso da “alheira vegetariana”. É um erro: uma alheira sem carne não pode ser, nunca, uma alheira.
Claro que, neste particular, ainda há mais maravilhas no país. Mas estas sete são apenas as que a votação impunha. Não podemos lamentar ausências (o ensopado e as migas do Alentejo). E não podemos enumerar faltas: “ai, os rojões e o sarrabulho de Ponte de Lima”; “ai, as lampreias …”, “ai, o queijo da serra …”. Devemos defender as preciosidades que temos, isso sim, porque não deixam de ser um orgulho para a nossa gastronomia, para as nossas tradições e para a nossa cultura.
Parabéns, Vila Real! Parabéns, Mirandela! Parabéns a todos quantos apostam no genuíno.




