Domingo, 25 de Setembro de 2022
Adérito Silveira
Adérito Silveira
Maestro do Coral da Cidade de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Maria de Fátima Gomes de Matos, uma enfermeira que nos deixa

Quando um amigo parte na distância da eternidade, ficamos feridos, julgamos mesmo que partimos também.

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Não nos perguntem porque nos arrancam das delícias da vida quando nos levam inapelavelmente para um outro reino, um reino dos justos para quem nesta vida o mereceu.

De morte natural nunca ninguém morreu. Não foi para morrer que nós nascemos. Os que partem para além das nuvens do infinito, serão lembrados cá na terra no clamor das preces pela família e pelos amigos. É preciso criar na terra a marca da luz da bondade e da solidariedade, da justiça e do perdão. É importante espalhar na terra os sorrisos transformadores na esperança e no amor pelo próximo.

Maria de Fátima partiu e foi uma perda irreparável para todos aqueles que tiveram a sorte de a conhecerem. Foi uma Grande Senhora com todos os atributos para ser respeitada e lembrada na expressão distinta do ser humano. A Enfermeira Fátima, foi simpática, cordial e respeitadora: profissional de exponencial valor. Boa esposa, boa mãe, amiga indefetível do seu amigo, nunca distinguindo classes sociais.

Caminhava na reverência da humildade de quem sabe amar quem ama. Caminhava em serenos e doces cumprimentos, em acenos quase impercetíveis mas verdadeiros…o sorriso era sempre cândido que hipnotizava os olhares. Também a ternura e a partilha eram marcas que caraterizavam a enfermeira.

Alma iluminada de fé no seu sorriso lindo e puro, coração de oiro. Quando alguém de coração grande parte, há qualquer coisa de finitude que nos rodeia e nos faz pensar na vida como ponte de passagem rápida e inapelável.

Agora estará já certamente cercada pela constelação celeste, pela luz mais resplandecente do paraíso libertador. Partiu como orvalho da noite terrena. Noite que nos atira já para o campo da saudade sem fim.

Há um poema belíssimo de Carlos Drummond de Andrade que diz: “ a que aspiramos? Que possuímos? Que relembramos? Onde jazemos? Que metro serve para medir-nos? Que forma é a nossa? E que conteúdo? “

Talvez porque o metro com que nos mede Maria de Fátima, no paraíso celeste procure já a medida certa da nossa alma. Uma procura que começou cedo a desenvolver-se em toda a sua vida de mulher modelo, mulher exemplo que sabia olhar o mundo como se ele fosse uma boa estrela mensageira para todos.

A memória das coisas está associada a rostos, episódios fugazes que se instituíram nas nossas vidas como imperecíveis monumentos da alma… Há rostos que não se escapam das nossas memórias. O rosto de Maria de Fátima Gomes de Matos não vai perder-se porque a luz da sua alma não se apagará das nossas memórias.

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