Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021
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Mau tempo arrasou produção de maçã, vinho e cereja

Uma forte trovoada, acompanhada por granizo intenso, deixou um rasto de destruição na região do Douro Sul, nomeadamente nos concelhos de Armamar e Tarouca.

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O presidente da câmara municipal de Armamar, João Paulo Fonseca, disse que cerca de 80 por cento da área de produção de maçã foi destruída no fim de semana, devido ao mau tempo, em que se estima um prejuízo superior a oito milhões de euros. 

Durante uma hora, o granizo caiu com grande intensidade, arrasando as culturas agrícolas, que ficaram cobertas de branco. 

Apesar de ainda não estarem fechadas as contas aos prejuízos, o autarca duriense revela que foram “cerca de 1.100 hectares afetados” só em Armamar. “A média ronda as 40 toneladas por hectare, por isso estamos a falar de 45 mil toneladas, o que traz um prejuízo estimado de 8,3 milhões de euros”.

A colheita deste ano ficou praticamente feita, em que os pomares, as vinhas ou as bagas do sabugueiro ficaram muito danificadas e apenas 20 por cento da produção poderá ter algum valor comercial. 

Depois da pandemia de Covid-19, em que os produtores sentiam já dificuldades de escoamento da produção, o mau tempo veio agudizar a situação num concelho em que a maçã tem uma enorme importância económica. “A par do vinho do Douro, a maçã é o grande pilar económico do concelho, o que vai trazer maiores problemas a toda uma economia local, que tem uma relação muito direta com aquilo que são os rendimentos vindos deste setor frutícola, alertou João Paulo Fonseca, que já se reuniu com Carla Alves, diretora regional da Agricultura e Pescas do Norte, assim como o homólogo de Tarouca, onde o mau tempo também afetou várias produções agrícolas.  

Valdemar Pereira revelou que há pessoas que “perderam tudo”, desde o vinho, à maçã e à cereja. “Os produtores não ficaram com nada. Estive nos terrenos mais afetados e fiquei muito triste com o que vi”, confessa o autarca, sustentando que a perda foi total. “É um ano de trabalho perdido”.

Neste concelho, a maçã e a vinha foram também os mais afetados. “São muitos hectares de prejuízo. Só para se ter uma ideia, só dois produtores, em macieiras, tinham uma média de meio milhão de toneladas”, frisou o presidente, que vai solicitar ajuda ao Estado.

Os prejuízos estão a ser contabilizados, em conjunto com técnicos da Associação de Fruticultores, uma vez que o Ministério da Agricultura já solicitou um relatório pormenorizado sobre as perdas dos produtores, de forma a agilizar medidas que possam minimizar esta situação provocada pela intempérie. 

Entretanto, a ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, revelou, em comunicado, que está a avaliar os estragos decorrentes do temporal de domingo e pondera a possibilidade de criar uma linha de crédito para apoiar os produtores.

Em cima da mesa está a possibilidade de utilizar uma medida de prevenção de calamidades e catástrofes naturais para apoiar investimentos “destinados a reduzir ou prevenir o impacto de catástrofes naturais, fenómenos climáticos adversos ou acontecimentos catastróficos”, como a instalação de redes antigranizo.

 

 

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