Quarta-feira, 16 de Junho de 2021

Médico julgado por negligência médica

Começou esta quinta feira, o julgamento de um médico de clínica geral, acusado do crime de homicídio por negligência, num caso que resultou na morte de uma mulher de 69 anos, natural de Mirandela. No primeiro dia de julgamento, o arguido ficou em silêncio.

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O caso remonta a 7 de janeiro de 2015 quando uma mulher de 69 anos deu entrada nas urgências do Hospital de Mirandela com dor torácica, referindo dor no peito e nas costas com evolução de três dias, tendo-lhe sido atribuída prioridade clínica de atendimento urgente (pulseira amarela).

A senhora em causa foi observada pelo arguido, médico de clínica geral, tendo-lhe dado alta 47 minutos depois com a prescrição de um anti-inflamatório e um paracetamol para as dores.

Horas depois, a mulher é transportada para o hospital privado de Mirandela, e posteriormente transferida para o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real, onde lhe foi diagnosticado enfarte do miocárdio, e onde acabaria por falecer a 14 janeiro, ou seja, sete dias depois.

Segundo refere a Rádio Terra Quente FM, e tendo em conta a sintomatologia para a acusação, o arguido, que já não exerce funções no hospital de Mirandela, “deveria ter considerado o enfarte agudo de miocárdio como primeira hipótese de diagnóstico, o que não sucedeu”, considerando que o arguido “devia ter promovido um estudo que lhe permitisse excluir causas mais graves, e como tal solicitado os meios complementares de diagnóstico adequados para o seu correto diagnóstico, tratamento e orientação, o que o arguido não fez”, sustenta o Ministério Público (MP).

Para além disso, acrescenta a acusação, o arguido deveria “ter-se abstido de atribuir alta à doente, antes assegurando a sua imediata observação pela especialidade de cardiologia, o que também não promoveu, e deu-lhe alta”.

O MP defende que o arguido “omitiu os mais elementares deveres de cuidado que, segundo as circunstâncias e boa prática médica, lhe eram exigíveis e que se impunha que observasse”.

Por esta conduta, a acusação entende que o arguido, praticou em autoria material, na forma consumada, um crime de homicídio por negligência.

 

 

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