RegiãoMercado negro de explosivos debaixo de olho das autoridades

Mercado negro de explosivos debaixo de olho das autoridades

Um desconhecido, de sotaque espanhol, teria abordado um empresário de granitos, com pedreiras em Vila Pouca de Aguiar, oferecendo-lhe uma boa quantidade de dinheiro, a troco de cinco quilos de dinamite. Segundo apurámos, a oferta inicial seria mais baixa, mas, ao ver a recusa do industrial, o homem resolveu aumentar a parada. Contudo, o mesmo […]

Um desconhecido, de sotaque espanhol, teria abordado um empresário de granitos, com pedreiras em Vila Pouca de Aguiar, oferecendo-lhe uma boa quantidade de dinheiro, a troco de cinco quilos de dinamite. Segundo apurámos, a oferta inicial seria mais baixa, mas, ao ver a recusa do industrial, o homem resolveu aumentar a parada. Contudo, o mesmo empresário, estranhando o montante avultado e suspeitando que os fins de tal aquisição não fossem os mais lícitos acabou por não aceitar a pretensão dos compradores, até por estar impedido de fazê-lo, por imposição da lei.

Lembremos que o preço da dinamite (gelmonite, amonite, gelamonite, em média, não ultrapassa os três euros/kg). Perante isto, estão a ser lançados, pelas autoridades, pedidos redobrados de vigilância, no sentido de detectar qualquer movimento estranho. Também a PSP de Vila Real tem feito, como habitualmente, de forma discreta, mas activa, o controlo, no terreno.

Porém, o Presidente da Associação dos Industriais de Granito, João Marcelino, tranquiliza e garante não ter qualquer indício ou conhecimento de tal situação, embora admita que “como em todos os outros sectores, há pessoas mais ou menos responsáveis. Mas o normal procedimento é darmos a conhecer, às autoridades, neste caso à PSP, no dia anterior, a quantidade de explosivos a utilizar nas pedreiras. Acho, por isso, que tudo está controlado”.

Este dirigente admitiu que, por vezes, “ esporadicamente, pode haver um desvio de um cartucho para a pesca ilegal ou para a abertura de poços de água”.

Quanto a furtos que possam ser canalizados para actos de terrorismo, João Marcelino considera “difícil a existência do mercado negro”, mas deixou um recado: “Não percebo porque vêm de Espanha tantas referências a Portugal, mormente ao sector empresarial dos granitos, quando se trata de explosivos. Nas pedreiras de rochas ornamentais que a AIGRA representa, em grande parte, utilizam-se explosivos (predominantemente pólvora), em pequenas quantidades. É, praticamente, inviável, sob o ponto de vista económico, a utilização de paióis, no actual quadro de requisitos de obrigatoriedade de existência (declarada) de guardas permanentes” – sublinhou.

A última operação de apreensão de explosivos, por não estarem documentados, ocorreu, recentemente, nos concelhos de Montalegre, Mondim de Basto, Sabrosa, Valpaços, Vila Pouca de Aguiar e Vila Real, onde foram apreendidas, em pedreiras, significativas quantidades de material explosivo, pólvora, detonadores, cordão detonante e cordão lento/rastilho, em situação totalmente ilegal.

 

Jmcardoso

-PUB-


APOIE O NOSSO TRABALHO.
APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mais lidas

PRÉMIO