Em muitos lugares é costume chamar ao mês de Novembro o mês das Almas ou mês dos Mortos. Quando a morte está próxima, reina a tristeza e o sofrimento, todavia é possível encontrar vida, pode haver alegria, sentimentos e mudanças na alma de uma profundidade e de uma intensidade tais como não tinha havido antes. O tempo que precede a morte pode ser também um tempo de realização pessoal.
Encontrei no “Dicionário de defuntos”, editado nos Estados Unidos, alguns dados biográficos relativos à morte de personagens históricas: cientistas, escritores, assassinos, políticos, artistas, etc. Vou referir alguns dos 300 que o Dicionário apresenta.
Luís XVI, junto da guilhotina, disse: “Estou inocente de todos os crimes de que me acusam, mas perdoo aos culpados da minha morte e rogo a Deus que o sangue que vai correr não caia nunca sobre a França”.
O novelista H. G. Wells morreu, no fim da Segunda Guerra Mundial. As suas últimas palavras foram: “Tenho medo, não das bombas, mas da escuridão. Sempre receei a escuridão, em toda a minha vida”.
Pelo contrário, Goethe, ao morrer, exclamou: “Luz, mais luz!”. De facto, para um cristão, a morte não é escuridão, mas esperança de ver Deus, face a face.
Também para Óscar Wilde, a luz da Fé brilhou, nos últimos momentos. Devido ao seu estado, só por meio de gestos pôde dar a entender ao sacerdote que o assistia a sua vontade de morrer como católico.
Casanova que viveu uma vida pouco edificante recebeu os Sacramentos e morreu, em paz. Antes de morrer, declarou: “Vivi como um libertino, mas morro como um cristão”.
Thomas Moro, já no cadafalso, virou-se para o carrasco e disse-lhe: “Tem cuidado, ao fazer a tua obrigação, pois tenho o pescoço curto e tu não deves errar”.
Como vemos, as pessoas que estão nesta etapa especial que é a última, afinal, vêem as coisas de uma maneira muito diferente da nossa: são capazes de sentir, orar, amar e viver, com uma intensidade como, antes, nunca o tinham feito. Mostram-nos que, dentro de nós, há algo muito maior do que nós.
Mês de Novembro – mês em que lembramos, de um modo especial, os mortos. No dia 1, Dia de Todos os Santos, lembramos os que já estão na Glória, a gozar da visão beatífica; no dia 2, Dia de Fiéis Defuntos, lembramos os que se encontram no Purgatório, a purificar-se, antes de entrarem na posse definitiva de Deus.


