Agostinho Chaves
Agostinho Chaves
Trata o jornalismo por tu. Colabora com a VTM há mais de 25 anos. Foi Diretor entre 2014 e 2019. Passou por meios de comunicação nacionais, como o Comércio do Porto e a Rádio Renascença.

Mistérios

1 Decerto haverá fundamentos na decisão do juiz Neto de Moura em retirar a pulseira eletrónica a um homem que agrediu a esposa e que por via disso foi condenado a três anos de prisão, com pena suspensa.

 A vida de um juiz é fortemente marcada por episódios em que tem de aplicar a lei, de forma isenta, independentemente das suas convicções próprias, através dos testemunhos que lhe cheguem, alguns deles verdadeiros outros eivados de fantasia. A aplicação da Lei é que determina a existência da Justiça como instituição e não como princípio moral. O que acontece é que as decisões de um juiz, sejam quais forem, não são, na maioria dos casos, entendidas por nós.

Em primeiro lugar, porque desconhecemos o que está preceituado no Código Penal, em segundo lugar porque todos os executivos da Justiça não estão interessados em explicar as coisas às pessoas. Não se entende? Esse “mistério” é que dá força à Justiça, mas também um grande incómodo e inconformismo aos cidadãos cuja focagem está sempre apontada para a defesa da vítima e o ataque ao agressor.

 

2 – Já lá vai o tempo dos ditadores. Ainda hoje se fala de Salazar, Franco, Hitler, Estaline, Pinochet, Pol Pot, Bokassa, Mussolini e por aí fora como ditadores férreos, sanguinários, criminosos. Nessa perspetiva, os ditadores de hoje já não são assim. São mais elegantes, mais diplomatas, viajam muito, de ponta a ponta do globo, encontram-se em Davos ou em Hanói com os seus homólogos democratas que sorriem para eles, lhes apertam as mãos e até lhes dão beijos, depois de os terem tratado como facínoras.

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Os ditadores de hoje serão meros “teóricos” que procuram amedrontar as pessoas para as terem seguras no bolso. Jogam com o petróleo e as armas nucleares, com o ambiente e as ajudas humanitárias, com o terrorismo e com os recursos naturais ou financeiros, com os Jogos Olímpicos e os Mundiais de futebol, com os Óscares da Academia e o prémio Nobel. A telenovela venezuelana tem dois personagens importantes: Maduro e Trump. O primeiro já foi bom e agora é mau.

O segundo já foi mau e agora está a ser bom. Vá lá perceber-se. Um “mistério” que dá força aos mais poderosos, mas que não é bem compreendido por quantos se postam a favor das democracias contra as ditaduras.

 

3 – Kim Jong-un, o presidente da Coreia do Norte, está em alta. Para mostrar a raça de que é feito, fez questão de se deslocar de comboio para a segunda cimeira com Donald Trump. E numa carruagem tipo – 2ª Classe. As pessoas não compreendem porque evitou o avião e a classe executiva. A verdade, ao que se diz, é que o “charme” de que se veste agora, tal como o do seu “inimigo de estimação” norte-americano (num cenário que já foi “Apocalipse Now” de napalm) aponta para a conquista do próximo Nobel da Paz.
Surpreendente? Se calhar até nem será tanto “mistério” assim…
 

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