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Mobilidade no vale do Tua só para turismo

A infraestrutura intermodal do Tua só irá funcionar na sua plenitude entre maio e outubro. Esta novidade foi avançada durante a 3ª conferência internacional “Railroads in Historical Context” que decorreu sexta-feira, em Alijó, e reuniu mais de 40 investigadores internacionais, entidades oficiais, operadores turísticos do Douro e a EDP. Assim, caiu por terra a vontade de várias associações que exigiam o regresso do serviço público ao troço desativado.

Foi pela boca de Sérgio Figueiredo, administrador-delegado da Fundação EDP, que se fez “luz” sobre o que poderá ser o megaprojeto de mobilidade intermodal de Foz Tua, que pretende constituir uma oferta turística de excelência assente em três meios de mobilidade: o funicular, o barco e o comboio.

Durante este encontro internacional, foram apresentados e debatidos estudos sobre a história do Vale do Tua e da Linha do Tua, bem como o novo projeto turístico para a linha. Naturalmente, uma das intervenções mais aguardadas era a de Sérgio Figueiredo. Da sua alocução, retiramos algumas passagens importantes e concretas sobre aquilo que a EDP pretende e o papel da própria Agência de Desenvolvimento Regional do Vale do Tua no processo.

Esta administrador-delegado lembrou que antes “a linha do Tua era o principal conflito com o empreendimento hidroelétrico e era aquilo que do ponto vista mediático e social se colocava mais em confronto com a barragem”. Referiu também que “o primeiro desenho de contrapartidas que foi feito pelo Estado e autoridades centrais matava a linha do Tua”. “Não havia uma conciliação entre a intervenção hidroelétrica e o património (linha férrea), mas noto que era mais património do que transporte, que já não o era há muito tempo e nem havia perspetivas de o voltar a ser. Isto porque não havia dinheiro, nem pessoas para o usar. Ou seja, era um caso perdido. Este plano constitui o único instrumento viável para recuperar parte substancial da via férrea, já que somente 12 km ficam inundados. Não vou fazer demagogia que a barragem salva a linha do Tua, mas posso afirmar que foi ela, através de uma forma inteligente, ambiciosa e inovadora ao utilizar de contrapartidas, que permitiu a criação de um plano e que não seja escombros aquilo que foi história”.

 

Turismo é o passageiro preferencial da linha

Sérgio Figueiredo foi incisivo e sem papas na língua, admitiu que o futuro da linha “não poderia estar associado à necessidade de transporte das pessoas”. “A solução para linha nada tem a ver com a necessidade das pessoas precisarem de se deslocar no território. Era impossível viabilizar uma operação de caminho de ferro todos os dias ao longo do ano. Não havia modelo económico que aguentasse”. “O destino quis que começássemos a desenhar a via férrea, não para aqueles que cá vivem, mas sim aqueles que nos visitam. O cenário que foi desenhado não foi diferente do que foi para o Douro e que criou um fluxo importante a partir das barragens, e no Tua terá de ser assim”. “Primeiro vamos ligar o Tua ao Douro e depois ligar o barco ao comboio, partindo da realidade que a população local tem soluções rodoviárias”.

Na sua intervenção, sintetizou então o projeto. A solução multimodal tem três segmentos e vamos avançar. Uma ligação Foz Tua que vença a quota da Barragem e faça a ligação ao Douro. Aqui, o meio utilizado será um funicular, ou seja uma espécie de elevador panorâmico que permite vistas interessantes. Depois, o segundo troço, com barco, aproveitando a navegabilidade do rio através da criação da respetiva albufeira entre maio e outubro, num troço desde Brunheda até à Barragem. Terceira etapa, o comboio, em que serão aproveitados 4/5 da linha original, num investimento a rondar os 40 milhões de euros. “Aos 7 milhões e meio que eram exigidos à EDP pelas responsabilidades assumidas, voluntariamente acrescentamos mais 2,5 milhões para servir de alavanca aos 30 milhões que são precisos para assegurar a segurança física da linha e das pessoas, de modo a evitar mais acidentes. Será uma intervenção exigente e cara”.

Quanto ao modelo de funcionamento, Sérgio Figueiredo esclareceu que se colocava a dúvida se a EDP ou as autarquias estavam vocacionadas para a exploração, e de facto não estão. Este projeto é dirigido assim aos operadores. O modelo que está pensado é o da concessão. A Agência Regional de Desenvolvimento do Vale do Tua é dona do ativo e concede a um operador privado para a sua exploração. Aqui, o operador beneficia de um esforço financeiro para a estrutura recuperada, e quem o construiu e deu origem (ARDVT) não fica com o risco da sua exploração”.

Por fim, Sérgio Figueiredo deixou escapar que ainda “falta fazer tudo”, mas “não se está a começar do zero”. Sobre a data do arranque deste plano de mobilidade, não houve uma data sugerida.

De sublinhar que, a Plataforma Salvar o Tua – Associação de Defesa do Ambiente alertou os partidos políticos com assento na Assembleia da República para os danos brutais e irreversíveis que a construção da Barragem de Foz Tua causará na região, pedindo que os partidos se envolvam na defesa do Vale do Tua. Também o Movimento Cívico da Linha do Tua lançou uma iniciativa alusiva à criação de um Mapa de Ocorrências na linha.

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