Numa altura em que se iniciam as actividades do Ano do Morcego (2011/2012), o Parque Natural do Alvão (PNAlvão), em parceria com o Núcleo de Estudo e Protecção do Ambiente (NEPA), da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) iniciou, no dia 17, um projecto experimental de instalação de abrigos, que tem como objectivo colmatar a redução dos abrigos naturais dos milhares de morcegos que vivem na zona protegida.
Numa primeira fase, foram colocados em árvores localizadas no coração do Parque natural quatro caixas de madeira construídas com o objectivo de dar as condições mais próximas possíveis dos abrigos que os morcegos das espécies arborícolas mais utilizam, os buracos existentes nas árvores mais velhas.
“Devido aos incêndios e a outros factores, humanos ou naturais, temos pouca floresta velha” no PNAlvão, explicou Luís Braz, técnico de ecologia aplicada, justificando assim a necessidade de melhorar artificialmente as condições dos habitats dos morcegos.
Completamente fechadas, de modo a evitar ao máximo a penetração da luz, à excepção de uma pequena ranhura com cerca de um ou dois centímetros na base, as caixas de madeira, na teoria, devem satisfazer as necessidades dos pequenos mamíferos voadores, no entanto, na prática, o seu sucesso ainda terá que ser avaliado, através da monitorização durante um ou dois anos. “Os morcegos são muito exigentes em relação ao seu abrigo porque a vida deles depende da segurança do local onde se encontram”, explicou o mesmo responsável.
Apesar de terem uma alimentação apenas à base de insectos, os morcegos têm que se refugiar de muitos predadores, como por exemplo as aves de rapina, os gatos ou as ginetas.
Existem mais de 1100 espécies de morcegos no mundo, totalizando cerca de 1/5 de todos os mamíferos. Só em Portugal são conhecidas 27 espécies, das quais 19 também têm morada no PNAlvão.
Apesar de ainda existirem em grande número, muitas espécies não têm um estatuto definido no que diz respeito ao risco de extinção, mas muitas outras estão classificadas como em risco.
Fortemente associados às histórias dos vampiros, muitas pessoas ainda temem estes pequenos animais, sendo de realçar que a maior espécie existente no PNAlvão, o morcego rabudo, pesa apenas 12 gramas.
“Os morcegos são criaturas simpáticas, que não atacam as pessoas”, explicou ainda o técnico de ecologia, defendendo que é preciso dar uma “perspectiva diferente do morcego” à sociedade. Por isso estão a ser preparadas outras incitativas, nomeadamente a realização de workshops de construção de abrigos, e a colocação de mais caixas na zona do Parque, a dinamização de acções de informação junto das populações escolares e a organização de uma exposição, que ficará patente no Centro Interpretativo do PNAlvão, em Vila Real, a partir do início do próximo ano lectivo.
“O objectivo deste tipo de iniciativas é, sobretudo, desmistificar a ideia que as pessoas têm dos morcegos”, explicou, ao Nosso Jornal, Albertina Rosa, supervisora da área protegida.
A colocação das primeiras caixas-abrigo realizou-se no âmbito da II Semana do Voluntariado do Parque Natural, durante a qual mais de 60 voluntários trabalharam ainda na manutenção dos habitats das espécies que vivem nos charcos, na criação e colocação de sinalização, e na plantação de árvores, entre outras acções.
Anualmente, o PNAlvão dinamiza quatro campos de trabalho, sendo a Semana do Voluntariado dedicada à população em geral. “Quisemos dar resposta às muitas pessoas que mostravam interesse em participar mais activamente na defesa das espécies e dos habitats”, explicou Albertina Rosa, referindo que, mais importante que colaborarem em projectos desenvolvidos pelo Parque, os campos de voluntariado servem para sensibilizar e consciencializar. “O trabalho é sempre acompanhado por um aprofundamento de conhecimentos sobre as questões a abordar”, sublinhou.



