Tendo o quantitativo descido das 108 mil pipas em 2019 para as 102 mil em 2020, o movimento alerta ainda para a necessidade, agora, de garantir que o valor por pipa se mantenha pelo menos igual ao do ano passado.
Em causa está um quantitativo que inclui 92 mil pipas de mosto e 10 mil pipas para a reserva qualitativa e que ficou fixado quinta-feira pelo conselho interprofissional do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP).
Em comunicado enviado esta tarde às redações, o MCD considera que “num momento em que se exigia grande capacidade de negociação e uma estratégia incisiva do lado da produção, com uma posição bem definida e clara no sentido de assegurar o quantitativo de benefício do ano transato” a Federação Renovação do Douro e os representantes da produção no Conselho Interprofissional “não foram capazes de defender convenientemente os viticultores”.
“Importa relembrar que desde cedo se levantaram as vozes mais atentas da região a reclamar que se deveria agir para manter dois grandes pilares económicos da região: manter o mesmo quantitativo de benefício do ano de 2019 e o mesmo valor por pipa”, lê-se na nota.
O MCD lamenta que o quantitativo do ano passado não tenha sido mantido, uma vez que se estima que a Região Demarcada do Douro registe uma diminuição de seis mil pipas face a 2019, mas alerta que o valor por pipa “pode ser salvaguardado”.
“Queremos acreditar que os responsáveis do Conselho Interprofissional tenham em cima da mesa a devida atenção para o perigo que se avizinha, o preço por pipa tem de se manter igual ao do ano transato, pelo menos”, defende o MCD.
Referindo-se à reunião com o gabinete de Maria do Céu Albuquerque, o MCD lembra que considerou de “elementar justiça a aplicação dos cerca de 10 milhões de euros cativos da Direção Geral do Tesouro / Ministério da Finanças, provenientes de taxas aplicadas pelo IVDP na RDD [Região Demarcada do Douro], sugerindo a mobilidade desse valor para um fundo de crise, gerido por uma estrutura de missão”.
“O MCD considera que o valor que tem ficado cativo deverá ser um instrumento essencial para em breve se desenvolver um plano a médio prazo, com vista a aplicar alterações diversas e estruturais no setor que permitam estabilizar os rendimentos do setor vitivinícola”, lê-se na nota do movimento que volta a reforçar a ideia de que os preços da pipa de vinho do Porto e DOC devem ser os mesmos praticados no ano transato, isto para “atenuar a redução do quantitativo de benefício deste ano”.



