RegiãoMovimentos pedem tomada de posição dos candidatos sobre plano mineiro

Movimentos pedem tomada de posição dos candidatos sobre plano mineiro

Os movimentos consideram ser “importante para as populações” que os candidatos às eleições presidenciais de 24 de janeiro se pronunciem sobre o programa de mineração que “vai potencialmente afetar grande parte do país em termos sociais e ambientais”.

“Nós, milhares de portugueses membros de coletivos e associações queremos acreditar que vivemos num país democrático, onde as populações podem decidir do seu futuro”, salientaram nas cartas remetidas a Ana Gomes, André Ventura, João Ferreira, Marisa Matias, Marcelo Rebelo de Sousa, Tiago Mayan Gonçalves e Vitorino Silva e a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Os subscritores acrescentaram que, neste caso, “se as populações não quiserem apostar no extrativismo e na exploração mineira como modelo de desenvolvimento, mas sim num desenvolvimento verdadeiramente sustentável baseado numa agricultura ecológica e de qualidade e num turismo sustentável, devem ser ouvidas e os seus desejos tomados em consideração”.

Por isso, pediram aos candidatos presidenciais que tornem “pública a sua posição perante este plano para que todos os portugueses possam fazer uma escolha consciente no próximo dia 24 de janeiro”.

O Conselho de Ministros aprovou no dia 14 de outubro o decreto-lei que visa regulamentar a lei de bases de aproveitamento dos recursos geológicos, no que diz respeito aos depósitos minerais, o qual, segundo explicou na altura o Ministério do Ambiente, prevê padrões de sustentabilidade ambiental “mais exigentes”, a repartição dos benefícios económicos com as populações e dá mais poderes aos municípios.

Já em dezembro, os movimentos pediram ao Presidente da República para vetar a nova lei das minas, bem como pediram a sua devolução ao Governo para a “inclusão das imprescindíveis alterações” propostas.

“Somos largos milhares de cidadãos portugueses, perfeitamente informados e conscientemente convencidos que a forma como o massivo programa de mineração do atual Governo foi e é conduzido colide gravemente com os nossos direitos fundamentais”, afirmaram numa carta aberta então dirigida a Marcelo Rebelo de Sousa.

Os opositores às minas consideram que se tem assistido a “uma total falta de transparência e de vontade de concertação com a população local, por parte do Governo e das entidades competentes” e defendem que sejam “potenciadas e preservadas zonas protegidas e classificadas, essenciais à saúde, bem-estar e sustentabilidade, excluindo-as de projetos extrativistas de recursos minerais”.

Os movimentos são a Associação Montalegre Com Vida, a Associação Unidos em Defesa de Covas do Barroso, Corema – Associação de Defesa do Património, que coordena o Movimento de Defesa do Ambiente e Património do Alto Minho, Em Defesa da Serra da Peneda e do Soajo, Guardiões da Serra da Estrela, Movimento Não às Minas – Montalegre, Movimento ContraMineração Beira Serra, Movimento SOS Serra d’Arga, SOS – Serra da Cabreira – BASTÕES ao ALTO, Povo e Natureza do Barroso (PNB) e SOS Terras do Cávado.

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