Sexta-feira, 1 de Julho de 2022
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Mundo rural olvidado

Nesta altura em que a campanha para as eleições começa a chegar ao seu termo, chegou-nos à mão, uma notícia do Jornal Público, sobre o “Movimento Espanha Esvaziada”, que representa a revolta de todos aqueles que escolheram ficar na terra onde nasceram.

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Para quem como nós, há mais de 40 anos, trata o despovoamento do mundo rural, com pouco ou nenhuma atenção do Poder Central, parece-nos ser esta uma boa altura para lembrar aos novos deputados, que tal como no país vizinho, também aqui temos um Portugal Esvaziado.

O abandono do território pelas populações, que neles vivem, – ou viviam? – e que os abandonam, não apenas por gostar de viver em grandes centros urbanos, mas principalmente porque se sentem sozinhos e sem capacidade para operar as mudanças dos tempos novos: Adesão às inovações na agricultura, ao represamento de águas, à aquisição dos equipamentos, etc… Em Beja, há já um movimento: O “Beja Merece Mais”, que, em 2018, conseguiu reunir 26000 assinaturas, numa petição que reivindica o crescimento e desenvolvimento do desprezado Baixo Alentejo. Tanto quanto se sabe não teve qualquer êxito. Porém, a ideia do movimento não está olvidada, tanto é que, há duas semanas, 67 entidades de Portugal, Extremadura e Castelo Leão uniram-se para subscrever uma Declaração de Urgência da Faixa Celta – face à ameaça de colapso demográfico na zona transfronteiriça. São por enquanto movimentos inorgânicos, levados a cabo por resistentes que continuam a viver em regiões deprimidas e para as quais é necessário olhar, porque cada metro quadrado do território que se abandona é pobreza que se acrescenta, para o futuro próximo.

Este movimento – Espanha Esvaziada, que começa a dar os primeiros passos no país vizinho é um grito de alerta para toda a Península Ibérica.

Não é admissível que se abandonem 70% dos territórios do interior e não temos ouvido, nenhuma voz autorizada a lembrar aos nossos futuros parlamentares que, sem território, não haverá sequer, Parlamento.

Em Espanha, tanto quanto lemos, este movimento da Espanha Esvaziada percebeu que não podia contar com os partidos tradicionais, PSOE e PP.

Não diremos o mesmo aqui no nosso país, porque sabemos que esta questão da interioridade e da regionalização, é assunto da agenda dos grandes partidos nacionais. Porém, é preciso passar da teoria à prática. Que os deputados que venham a ser eleitos, tenham em atenção o drama do despovoamento do interior esquecido. Sem pessoas, nem sequer, há necessidade de eleições. Lembrem-se disso, senhores futuros deputados.

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