Segunda-feira, 29 de Junho de 2026
Armando Moreira
Armando Moreira
| MIRADOURO | Ex-presidente da Câmara Municipal de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Mundo rural olvidado

Nesta altura em que a campanha para as eleições começa a chegar ao seu termo, chegou-nos à mão, uma notícia do Jornal Público, sobre o “Movimento Espanha Esvaziada”, que representa a revolta de todos aqueles que escolheram ficar na terra onde nasceram.

Para quem como nós, há mais de 40 anos, trata o despovoamento do mundo rural, com pouco ou nenhuma atenção do Poder Central, parece-nos ser esta uma boa altura para lembrar aos novos deputados, que tal como no país vizinho, também aqui temos um Portugal Esvaziado.

O abandono do território pelas populações, que neles vivem, – ou viviam? – e que os abandonam, não apenas por gostar de viver em grandes centros urbanos, mas principalmente porque se sentem sozinhos e sem capacidade para operar as mudanças dos tempos novos: Adesão às inovações na agricultura, ao represamento de águas, à aquisição dos equipamentos, etc… Em Beja, há já um movimento: O “Beja Merece Mais”, que, em 2018, conseguiu reunir 26000 assinaturas, numa petição que reivindica o crescimento e desenvolvimento do desprezado Baixo Alentejo. Tanto quanto se sabe não teve qualquer êxito. Porém, a ideia do movimento não está olvidada, tanto é que, há duas semanas, 67 entidades de Portugal, Extremadura e Castelo Leão uniram-se para subscrever uma Declaração de Urgência da Faixa Celta – face à ameaça de colapso demográfico na zona transfronteiriça. São por enquanto movimentos inorgânicos, levados a cabo por resistentes que continuam a viver em regiões deprimidas e para as quais é necessário olhar, porque cada metro quadrado do território que se abandona é pobreza que se acrescenta, para o futuro próximo.

Este movimento – Espanha Esvaziada, que começa a dar os primeiros passos no país vizinho é um grito de alerta para toda a Península Ibérica.

Não é admissível que se abandonem 70% dos territórios do interior e não temos ouvido, nenhuma voz autorizada a lembrar aos nossos futuros parlamentares que, sem território, não haverá sequer, Parlamento.

-PUB-

Em Espanha, tanto quanto lemos, este movimento da Espanha Esvaziada percebeu que não podia contar com os partidos tradicionais, PSOE e PP.

Não diremos o mesmo aqui no nosso país, porque sabemos que esta questão da interioridade e da regionalização, é assunto da agenda dos grandes partidos nacionais. Porém, é preciso passar da teoria à prática. Que os deputados que venham a ser eleitos, tenham em atenção o drama do despovoamento do interior esquecido. Sem pessoas, nem sequer, há necessidade de eleições. Lembrem-se disso, senhores futuros deputados.

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