InícioPeso da RéguaMunicípios querem discriminação positiva no Alto Douro Vinhateiro

Municípios querem discriminação positiva no Alto Douro Vinhateiro

O presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro, Francisco Lopes, aproveitou as comemorações do Dia do Alto Douro Vinhateiro para exigir ao Governo um programa de valorização da paisagem e um conjunto de medidas de discriminação positiva para o bem classificado. O secretário de Estado do Ordenamento do Território, Miguel Castro Neto, defendeu a coesão territorial e realçou a importância da classificação da Unesco.

Não houve fogo-de-artifício, nem festejos exuberantes, mas mesmo assim a elevação do Douro a Património da Humanidade foi evocada com dignidade através de um sessão que decorreu, na tarde de sábado, no Museu do Douro. Em dia de festa, também houve alguns alertas e desafios, como o deixado por Francisco Lopes. “Eu lanço o desafio às instituições, que serão ouvidas em sede de conferência de serviços, e ao secretário de Estado, que mais do que um regulamento com regras restritivas às formas de armação do terreno que será atualizado, esse plano fosse de valorização da paisagem e tivesse medidas de discriminação positiva e que ajudassem a potenciar este território e a inverter o ciclo de desertificação que é patente”.

Para assinalar a data, a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e a Estrutura de Missão do Douro, em parceria com a Comunidade Intermunicipal do Douro e a Liga dos Amigos do Douro Património Mundial, conseguiram programar um conjunto de intervenções que abordaram o sítio classificado e a sua importância turística, económica e de promoção da região, mas também realçar a necessidade da sua preservação e manutenção a bem de quem vive no território. Entre os palestrantes, o secretário de Estado do Ordenamento do Território, Miguel Castro Neto, defendeu a importância da coesão territorial no país e o reflexo positivo que tem as distinções da Unesco e a classificação do Alto Douro Vinhateiro.

A responsável pela Estrutura de Missão do Douro, Célia Ramos, considerou que a chave do futuro está em articular com inovação e ter a cultura como pilar. Esta responsável sublinhou o trabalho previsto e outro que já está em curso. “Para 2014 já temos alguns projetos. A avaliação periódica do território do património mundial, o sistema de monitorização do Alto Douro Vinhateiro que está a ser implementado, o guia de boas práticas e o prémio de arquitetura. Vamos ainda dar continuidade a um desafio que foi dirigido aos Sítios classificados a nível nacional pela Unesco, para preparar um conjunto de propostas positivas discriminativas, além de participarmos, com a CIMDouro, no plano de gestão integrada.

O presidente da CCDR-N e encarregado de Missão da Estrutura de Missão do Douro, Emídio Gomes, a presidente da Fundação do Museu do Douro, Elisa Babo, e o presidente da Câmara da Régua, também falaram, bem como o vice-presidente da Turismo Norte e Portugal, Jorge Magalhães, e o vice-reitor da UTAD, Artur Cristóvão. Mas foi da boca do presidente da CIMDouro que saíram algumas palavras pertinentes relativamente ao território classificado e a sua regulamentação, assumindo também um comprometimento. “Um compromisso e uma responsabilidade que em nome de todos os municípios da nossa Comunidade que este bem classificado teremos de contribuir para a sua preservação e manutenção sempre em defesa daqueles que construíram e que vivem no território”. “Temos a responsabilidade de elaborar o Plano Intermunicipal do território do Alto Douro Vinhateiro, mais uma vez, encerrando um conjunto de requisitos, de dificuldades, de pretensões contraditórias. Muitas vezes, sabemos que é muito difícil conciliar preservação com desenvolvimento, mas, várias vezes, preservar é desenvolver. Temos um mapa da Unesco, onde há restrições de ordem diversa às atividades humanas e económicas, mas são boas se soubermos potenciar e valorizar o território”.

Francisco Lopes deixou implicitamente um recado aos autarcas e instituições. “Se calhar, e conforme o relatório de avaliação feito pela Unesco, não olhamos para esta classificação da melhor maneira e não tiramos o maior proveito porque focalizamo-nos apenas naquilo que é, eventualmente, menos positivo nas restrições que nos são impostas para a preservação do bem”.

O colóquio “Douro: O Valor de Um Património Único” serviu para assinalar a inscrição do Alto Douro Vinhateiro na lista do Património Mundial da Unesco.

-PUB-


APOIE O NOSSO TRABALHO.
APOIE O JORNALISMO DE PROXIMIDADE.

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo regional e de proximidade. O acesso à maioria das notícias da VTM (ainda) é livre, mas não é gratuito, o jornalismo custa dinheiro e exige investimento. Esta contribuição é uma forma de apoiar de forma direta A Voz de Trás-os-Montes e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente e de proximidade, mas não só. É continuar a informar apesar de todas as contingências, nunca paramos um único dia.

Contribua com um donativo!

VÍDEO

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

Mais lidas

PRÉMIO