Durante anos a fio foi o local de recolha e transformação de azeitona da CAOM. Depois da passagem da unidade, no princípio de 2000, para as atuais instalações, o imóvel, pertencente à Câmara Municipal de Murça, ficou à espera de obras de adaptação para aí ser instalado o Museu Etnográfico. Porém, a intenção não saiu do papel, apesar do projeto apontado para o edifício servir de sustento para a obtenção de uma tese de doutoramento. Foi o presidente da edilidade a avançar com esta decisão ao Nosso Jornal. “Atendendo aos constrangimentos existentes, temos de dar prioridades a outras áreas mais necessitadas, por isso, para já, a instalação do Museu Etnográfico não é uma das nossas prioridades. Obviamente que gostávamos que fosse já amanhã, mas o dinheiro não chega a tudo. Assim, resolvemos optar por uma intervenção na rede viária municipal que se encontra bastante degradada, nomeadamente nos acessos à EN 314, e apoiar as nossas políticas sociais. Como se sabe hoje os tempos não estão fáceis e as pessoas cada vez mais solicitam a ajuda do Município”.
No entanto, o Museu Etnográfico não está posto de lado até porque “irá continuar a merecer a melhor atenção” apesar de não termos uma data específica para avançar com o projeto, garantiu José Maria Pereira.
O edifício ainda se encontra em razoável estado de conservação e a intenção passa por expor no espaço motivos ligados às vivências do mundo rural.
Refira-se que, para compensar este impasse, a Cooperativa Agrícola dos Olivicultores de Murça tem valorizado a riqueza cultural subjacente ao cultivo da oliveira e do azeite, com a criação do Núcleo Museológico exposto diante da sua frontaria para que perdurem para as gerações vindouras as técnicas tradicionais de extração deste líquido precioso, que é o azeite.




