Sábado, 19 de Junho de 2021
António Martinho
VISTO DO MARÃO Ex-Governador Civil, Ex-Deputado, Presidente da Assembleia da Freguesia de Vila Real. Colunista n'A Voz de Trás-os-Montes

Não permitamos Odemiras

Quis o destino que, por mais que uma vez, me perdesse por terras da Costa Vicentina.

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Umas vezes pelo gosto de ir à aventura; outras, porque a estrada que nos traz do algarve por essas paragens, de tão curventa, nos provoca alguma desorientação. Uma outra foi algo de semelhante a uma viagem virtual. Mas um conjunto de documentos e várias notícias na comunicação social levaram-me até lá! Já agora, que escrevo no Dia Mundial das Comunicações Sociais, a minha homenagem à comunicação social que, com objetividade e se exercida por profissionais que conhecem bem e respeitadores dos princípios deontológicos a que se obrigam, nos traz por diversos meios o que se passa no mundo, no distante e no que fica aqui mais perto de nós.

O problema despoletado recentemente pela pandemia não é só de agora, nem se verifica só naquela zona do Alentejo. Recordo-me de o ter conhecido na década dos anos 90 do século passado. E uma breve investigação mostrou o Primeiro-Ministro de então, Cavaco Silva, a visitar uma estufa do Sr. Russel. Projeto que se mostrou ser um desastre, desde que faltaram dinheiros públicos. Mais tarde voltou-se à produção de hortícolas. Em princípio, uma boa opção de investimento agrícola. Foi esse o caminho proposto, há anos, para Portugal. Respeitem-se os direitos humanos, cumpram-se as regras ambientais e produza-se em regadio. O nosso clima pode proporcionar-nos colocar no mercado europeu com alguma antecedência face a países do Norte produtos de primeira necessidade. Pelos vistos, noutros setores, na bacia do Tejo vivem-se problemas de exploração de mão-de-obra em termos semelhantes. Ora, isso é que não pode acontecer. Nem lá, nem noutros locais. E os imigrantes, pessoas que são, devem merecer o maior respeito por parte de todos.

Já neste século do euro, do digital, das alterações climáticas, na 2ª metade da 1ª década, fui solicitado por um presidente de câmara para uma colaboração em apoio a imigrantes que trabalhavam nas vinhas do Douro. Recordo que foi fácil organizar uma equipa pluridisciplinar, constituída por elementos da GNR, do SEF, da S. Social e, se não erro, da Saúde, no auditório municipal. Cerca de 30 imigrantes apareceram. Cada elemento da equipa explicou a competência do respetivo serviço e tirou dúvidas quando solicitado. A melhor avaliação veio através do presidente de câmara, dias depois. Gostaram muito e foram à câmara agradecer. Muitas vezes, as “odemiras” podem evitar-se, com o trabalho de proximidade.

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