Quarta-feira, 4 de Agosto de 2021
Vitor Pimentel
Empresário. Colunista de A Voz de Trás-os-Montes

Negligência e Insensibilidade

Em Portugal, o Estado subordina a sua relação com as instituições de solidariedade social a lógicas de cariz político-ideológico

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O PS e a esquerda não consideram as instituições do setor social como um factor de integração e coesão sociais nas comunidades. Ao invés, é visto como um mero empecilho às suas políticas estatizantes e um exemplo paradigmático das falhas e limitações da ação do Estado junto dos cidadãos mais carenciados. 

Na crise das dívidas soberanas (2010-14), o Governo PSD/CDS privilegiou as Misericórdias e as IPSS como parceiros essenciais na resposta aos problemas económico-sociais emergentes, surgindo acusações graves da esquerda sobre a alegada tentativa de transformar o Estado Social num Estado assistencialista.

Chegados a 2020, surge a maior crise pandémica do último século — que rapidamente se numa crise económica e social de graves proporções — com um governo do PS no poder e com as IPSS no olho do furacão, dadas as exigências sanitárias da Covid-19 e o impacto da doença na população mais idosa.

Perante os preconceitos políticos da esquerda, era expectável que toda esta situação viesse a correr muito mal e a realidade não desiludiu. Não só porque uma grande parte das mortes por Covid-19 estão a ocorrer em lares, como a negligência e insensibilidade do governo face a este problema tem sido atroz.

Exemplo disso é a última entrevista da Ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho. Não só a ministra demonstra, na peça jornalística, um alheamento face à realidade, como desvaloriza e relativiza o trabalho da Ordem dos Médicos, na análise ao caso de propagação num lar de Reguengos de Monsaraz.

Lamentavelmente, a atitude subjacente à entrevista da ministra revela todo um espírito militante, no PS, no governo e na esquerda em geral, face a este pilar agregador da nossa sociedade.

 Sendo, no entanto, que nada disto é novo. Tal como na saúde, a esquerda prefere ignorar catástrofes, a ter de mudar uma convicção política.

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