António Martinho

VISTO DO MARÃO

Encontro Internacional de Patrimónios

Uma semana intensa que se prolongará por mais algum tempo com outras ações na região do Douro.


Um ponto alto num projeto que se iniciou há mais de 3 anos, que mereceu a concordância do Centro de Património Mundial, que designámos por “World Generation”, pois tem subjacente um conceito de cooperação, partilha e transmissão de conhecimentos entre gerações e pessoas, desejando-se que possa vir a ser integrado em projetos da UNESCO, como o World Heritage Volunteers e World Heritage Education.

A semana de 2 a 10 proporcionou o encontro de técnicos e dirigentes responsáveis por Bens classificados pela UNESCO, tornou possível o contacto com expressões culturais diversas, desde a música e dança cabo-verdeana ao jazz, à ópera, à música interpretada em órgão sinfónico, à gastronomia, assim como a manifestações etnográficas.

Houve momentos de debate e de confronto de ideias com os temas: Ambiente e Turismo Sustentável, Sociedade, Educação e Património. Procuraram-se respostas para a grande questão que se coloca às gentes que vivem nos territórios, ou nas cidades classificadas - «como e até que ponto a integração de um determinado Sítio na lista da UNESCO dos Patrimónios da Humanidade tem contribuído para o desenvolvimento da região, das pessoas que ali vivem? O mesmo se diga, no nosso caso, no respeitante ao recurso turístico que as Aldeias Vinhateiras podem ser, que já começavam a ser: está, ou não, a contribuir para a melhoria da oferta turística do Douro? E como se reflete na vida dos seus habitantes?»

Correndo o risco, aliás, conscientemente, de ser acusado de uma avaliação precipitada, ousarei afirmar que valeu a pena. Iniciámos, há dois anos, numa ação da UTAD, no Forum DouroValor, esta reflexão. Tivemos então o contributo que resulta da experiência de responsáveis de Las Médulas (Espanha), Portovenere, Cinque Terre e Ilhas (Itália), Cidade Velha (Cabo Verde). Desta vez, vimos ampliado o rol de participantes com a Wachau (Áustria), Salvador (Brasil) e Ilha de Moçambique (Moçambique). De igual modo recebemos contributos da Fundação Oriente relativamente aos Monumentos das cidades de Goa e de Macau, assim como da experiência colaborativa da União de Cidade Capitais de Língua Portuguesa e da própria Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Beneficiámos do saber de um amigo especial – o Sr. Embaixador Lauro Moreira, que tão bem analisou o tema “Lusofonia: um Património Imaterial”. Finalmente, foi possível por em comum a experiência de três Redes de Aldeias: do Xisto, Históricas e Vinhateiras. 

Por isso, reafirmo que “é pela cultura que vamos”, pois, como refere Bernard Kayser, «qualquer que seja a forma como se apresenta, a cultura, porque contribui para a valorização das potencialidades coletivas e individuais, porque favorece a plena realização das personalidades, é o melhor e o mais eficaz dos vetores do desenvolvimento». Há quem não queira. Mas é este o caminho a seguir.

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