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Mais de 1800 motociclistas partiram de Vila Pouca de Aguiar rumo ao Algarve

Está na estrada o 19.º Portugal de Lés-a-Lés, edição recordista em termos de participantes com mais de 1800 motociclistas em 1650 que, ao longo de quatro dias, vão cumprir 1164 quilómetros na ligação de Vila Pouca de Aguiar até Faro, em ano de estreia de novo formato, com três etapas com paragens no Fundão e Elvas.


Em ano de todos os recordes, o mais extenso Passeio de Abertura, espécie de prólogo à descoberta do concelho aguiarense, mas também uma marca digna de figurar no Guiness Book of Records, com todos os participantes a colaborarem no Arrastão da Grande Pedra, deslocando bloco de granito com mais de 12 toneladas (mais precisamente 12 980 kg) ao longo de 250 metros no troço da mítica Estrada Nacional 2, em pleno coração de Vila Pouca de Aguiar. Estrada-património que será utlizada por várias vezes ao longo deste Lés-a-Lés.

Via estruturante que atravessa todo o País, com 738,5 km entre Chaves e Faro, e que contribuiu para a espectacularidade do Passeio de Abertura, realizado após as mais rápidas e eficazes verificações técnicas de sempre, com 94 quilómetros de extensão ‘Pela Capital do Granito’. Mas também do ouro, dos castanheiros, das paisagens deslumbrantes e dos mais surpreendentes recantos. Como as estradas que maravilharam mexicanos, neozelandeses, chilenos, angolanos, suíços, suecos, franceses, italianos, polacos, imensos espanhóis e, claro, muitas centenas de portugueses. Périplo concelhio que permitiu apreciar paisagens serranas desde o altaneiro Castelo de Aguiar de Pena; desfrutar da frescura de jovens carvalhais e soutos onde seculares castanheiros convivem com árvores bem mais recentes, sinal inequívoco da luta contra a desertificação da região transmontana. E deitar um olhar para a vista ímpar sobre a serra do Barroso e o Vale do Tâmega ou a passagem pelo verdejante Parque das Pedras Salgadas, onde árvores seculares faziam as delícias do Rei D. Carlos e da Rainha Dona Amélia. Trégua na intensa canícula que marcou o dia inaugural do evento organizado pela Federação de Motociclismo de Portugal e que, na primeira etapa, até ao Fundão, promete ser ainda mais sufocante com temperaturas que podem ultrapassar os 40.º registados em alguns locais.

Passagens oxigenantes também no Parque de Lazer da Lagoa do Alvão onde vários participantes não resistiram ao chamamento das águas, com os primeiros mergulhos na pequena represa conhecida por barragem da Falperra. Ou no inovador estabelecimento hoteleiro Alvão Village e Camping onde é recriado o ambiente de uma aldeia castreja, com cobertura em colmo e agradáveis espaços ao ar livre. Pérolas descobertas num dia em que o ouro ‘marcou presença’, com visitas às minas auríferas de Trêsminas, exploradas desde o tempo dos romanos com túneis escavados há mais de dois mil anos, ou à zona de Jales onde são ainda visíveis infraestruturas de exploração do subsolo, agora rendidas à maior rentabilidade da extracção das mais diversas qualidades de granito, do “Amarelo” ao “Cinza Telões”, passando pelo “Pedras Salgadas“, exactamente o que foi utilizado no revestimento do edifício do Parlamento Europeu, em Bruxelas.

Incapazes de passar despercebidos também os gigantescos castanheiros como o de Vales, com tronco de 14,4 metros de diâmetro, mas também as primeiras marcas históricas, do abandonado Hotel Universal, nas Pedras Salgadas, até à Igreja de Santa Eulália, de exuberante interior barroco, na aldeia de Pensalves, ou a Igreja Românica de S. Martinho, oferecedora de arquitectura singela e vista muito bonita sobre Pedras Salgadas. Sem registo de qualquer corço avistado na Serra da Padrela, os participantes ainda tiveram fôlego para o último (e maior!) desafio do dia, merecedor do 2.º furo dos 18 que compõem a tarjeta que atesta o cumprimento integral do percurso do 19.º Portugal de Lés-a-Lés. Mais de 12 toneladas num único bloco de granito que fica para a história como a mais pesada pedra arrastada em terras vilapouquenses, tema de conversa para as próximas semanas. Juntamente com as aventuras que continuarão a ser vividas nos próximos dias, rumo ao Algarve através da zona raiana e sempre por estradas nacionais e municipais, longe de auto-estradas, Itinerários Principais e Complementares. Porque o prazer do mototurismo passa pela descoberta de um País realmente único…

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