Barroso da Fonte

A Foz do Tédio fixa 60 anos de poesia do Zé Baptista

Se vivessemos em Lisboa ou Porto, aqueles que gostam da poesia - com o chip do Setentrião - teríam acorrido à apresentação do poemário Foz do Tédio, coletânea que José Dias Baptista selecionou para assinalar 60 anos de produção sua.


Esse seu primeiro poema foi publicado na página literária do jornal Ordem Nova, nº 451, de 2 de junho de 1957 e teve honras de abrir a coluna «Falam os mais Novos». Ao lado vinha o poemeto «Aviso» que o poeta da Vila da Ponte (Montalegre), só agora revela. Pelos vistos o «aviso» era da lavra de António Cabral que faleceu há dez anos, não foi, para os iniciantes dessa sua geração, apenas o primeiro ou dos primeiros a colher o gérmen do Movimento Setentrião que veio para Vila Real, na Biblioteca  ambulante da Fundação Gulbenkian e pela mão do semeador Carlos Loures. «Em 8 de setembro de 1962, numa entrevista ao Diário Ilustrado, António Cabral refere que a revista Setentrião, de que já tinham saído três números, era uma publicação de gente nova resultante de «um bate-papo à mesa de um café de Vila Real, onde se reuniam entre outros e para além dele próprio, Eurico de Figueiredo, José Vasconcelos Viana, Nuno Barreto e Eduardo Guerra Carneiro», escreveu Elísio Amaral Neves, no vol, 4, dos Cadernos Culturais da CMVR, recentemente editado.
 

Coincidiu esta data de 1962 com o meu abandono do Seminário de Santa Clara. E, coincidentemente, fui bafejado por esses ares refrescantes, através dos «Prémios Literários do Clube de Vila Real». A sessão decorreu no Teatro Avenida, na noite de 30 de junho. O júri da Reportagem regionalista, formado por Domingos Monteiro, Hugo Rocha e Mendes de Castro, atribui-me o 1º Prémio, no valor de mil escudos que para o tempo era uma boa maquia. Tanto mais que eu, com 22 anos, inesperadamente mudei de vida e, saí teso como um salpicão afumado. Mas essa história ficará para outra altura.
 

Por agora invoco a Foz do Tédio, do José Dias Baptista, que na nota prévia deste seu último livro afirma: «nessa altura (1957/58) brotaram, quase simultaneamente, por todo o país uns grupos com fins culturais, sobretudo literários. O Cabral integrou-os, escrevia-me a informar-me e associou-me a alguns... O Cabral e eu, além de setentriões fomos coniventes. Zé Baptista, abandonou, como fizeram os irmãos Domingos e Manel e, levou consigo o bichinho da escrita poética. Explica e menciona esses membros da Tertúlia, onde ele assinava com o pseudónimo de Miguel Montes. Fez o Magisterio Primário, licenciou-se em História e terminou a carreira como Inspetor do Ensino. Dedica-me o nono poema «Filosofias». Devo-lhe a influência poética que exerceu em mim. É o «historiador» mor do País Barrosão. Mas também sobressai na arte de poemar.

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