António Martinho

VISTO DO MARÃO

Aprofundar a cidadania europeia

A convite do Eurodeputado Pedro Silva Pereira, participei, recentemente, numa visita ao Parlamento Europeu, em Bruxelas. Em Estrasburgo já estivera várias vezes. A convite, mas também por iniciativa da Rádio Universidade, quando por ali colaborava num programa sobre as temáticas europeias


Num como noutro caso, o que se pretende com estas visitas é o aprofundamento do conhecimento das questões europeias, enfim, da cidadania europeia. E bem preciso é aprofundar a consciência de que, qualquer que seja a nacionalidade de cada um, somos europeus. Simultaneamente. E quanto mais essa consciência se aprofundar, tanto melhor. A propósito da sede do PE em Estrasburgo, o nosso anfitrião, no encontro em que debatemos temas a propósito da Europa, lembrou uma caraterística desta cidade francesa na região da Alsácia. Desde meados do século XIX, Estrasburgo mudou várias vezes de nacionalidade: francesa - germânica. Ora, os fundadores da União Europeia tiveram como grande preocupação/objetivo acabar com as guerras em que a Europa vivia sistematicamente e de que essas mudanças dão eloquente testemunho.

Aprofundar o conhecimento e a consciência de cidadania europeia é sempre importante e oportuno. Estamos longe, agora, felizmente, daqueles anos da primeira metade da década de noventa, quando numa audição a um grupo de Deputados do Parlamento belga, ouvi da boca de um deles a expressão: têm que diminuir para 5-6% a população ativa no setor primário da economia. Para dizer que, então, tudo se media pela bitola dos seis países fundadores. Não era aceitável que em outros Estados-Membros as exigências fossem outras, dadas as caraterísticas próprias desses países. Por outras palavras, não se aceitavam bem as diferenças, o que tivesse a ver com identidade. A globalização avassaladora, os conflitos no Próximo Oriente e no Norte de África, o exacerbar dos nacionalismos, por aqui e por ali, obrigam a uma outra visão, necessariamente. 

Mas é tudo isto, com as hesitações no aprofundamento da integração, as desistências, na sequência de jogadas políticas mal calculadas como aconteceu com Cameron no Reino Unido, que tornam mais evidente a necessidade destes contactos, de um maior conhecimento das instituições europeias, designadamente, daquelas que dão verdadeira expressão à representação democrática dos cidadãos – “o PE como a instituição onde bate o coração da democracia europeia”, como afirmou o Eurodeputado. 

Conhecer as instituições, mas também um pouco mais da Europa. Foi, por isso, muito interessante, descobrir junto a um dos canais de Bruges o que fora, em tempos, a casa de um mercador português, aliás, presentes na Flandres desde o século XIII. Como se vê, a Europa foi-se construindo, tem-se vindo a construir há muitos anos. E o importante, como disse Robert Schuman, é construir “uma realidade política nova que ligue as nações europeias pelos seus interesses, e não mais apenas por palavras e pactos”.

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