Armando Moreira

MIRADOURO

Questões de soberania

Conjugaram-se de repente vários acontecimentos que atraíram a atenção dos portugueses sobre as Forças Armadas e naturalmente sobre a importância e o papel que elas têm ao serviço da Nação.


O desaparecimento de material de guerra de um paiol em Tancos, as acusações de que estão a ser alvo alguns militares da Força Aérea por corrupção no exercício das suas funções (messes militares) e o regresso da Brigada Mecanizada do Exército na sua missão no Kosovo.

O que é que isto tem em comum? Já vamos ver.

Quem andou no Serviço Militar, sabe o que é “um paiol” e os cuidados de segurança que aquelas instalações merecem. O enfoque deste episódio centrou-se na falta de videovigilância, que não estaria a funcionar desde há algum tempo, por escassez de meios financeiros para a repor. Se calhar são verdadeiros os motivos invocados, mas não desresponsabiliza os Comandantes das Unidades, pelo que, e quanto a nós muito bem, foram suspensos das suas funções.

A questão das messes na Força Aérea não nos merece nenhum comentário. A justiça está a fazer o seu caminho e logo se saberá o que aconteceu.

Mas não deixa de colar um “rótulo feio” na instituição. É um ato isolado, é certo, mas a opinião pública terá tendência para fazer juízo negativo sobre a instituição militar em geral. O que é injusto.

Andou bem por isso, o Prof. Marcelo, que na qualidade de Comandante Supremo das Forças Armadas, decidiu associar-se à receção que foi feita em Coimbra, à Brigada Motorizada do Exército, que esteve no Kosovo nos últimos anos, em Missão de Soberania, tendo regressado agora definitivamente. O discurso do Presidente da República reconheceu a importância das Forças Armadas, como elo essencial da soberania, de uma Nação que tem mais de nove séculos de história, onde os militares desempenharam sempre um papel fundamental, “porque são um pilar insubstituível da Nação.”

E disse mais: “Os militares disseram sempre presente, quando a Nação deles precisou, quer na defesa das fronteiras internas, quer quando foi necessário, como agora, sair para teatros de operações que os compromissos internacionais nos determinam”.

Por isso, concluímos nós das palavras de Marcelo, há que continuar a confiar nas Forças Armadas, porque elas são um dos garantes da nossa soberania.

É evidente, que assacar a falta de vigilância de um paiol, à carência de meios financeiros e aos cortes orçamentais que a generalidade dos serviços públicos conhecem, é fraco argumento. O que as Forças Armadas talvez queiram dizer à Nação é que as responsabilidades que lhe são atribuídas não podem ser exercidas, no quadro das Forças “ditas” profissionais.

O que levará à necessidade de repensar, como fez Manuel Alegre, em nota do Expresso (8 de julho), quando pergunta: “O país quer ter Forças Armadas ou não?” E coloca em cima da mesa o possível regresso do serviço militar obrigatório (SMO), que pessoalmente, sempre advogámos. É que só países ricos se podem dar ao luxo de Forças Armadas Profissionais. Para além dos benefícios, de formação cívica que a sociedade retiraria da passagem pelas fileiras, anualmente, de dezenas de milhares de cidadãos.

Esta reflexão carece, porém, de uma fundamentação, que a outros compete fazer com maior propriedade.

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