Agostinho Chaves

EDITORIAL

A mudança

A mudança está na ordem do dia, na sociedade atual. Todos a desejam, raros são os que a temem ou a renegam. Para alguns, a necessidade de mudança até se manifesta em termos de regresso ao passado


Não era assim ainda há pouco tempo. A mudança suscitava mais dúvidas: “vale mais um pássaro na mão que dois a voar”, “quem ao mais alto sobe ao mais fundo vai cair”, “quem se mete por atalhos mete-se em trabalhos”, “devagar se vai ao longe”, “o burro (da nora) anda e volta a andar sem sair do mesmo lugar” eram provérbios que denunciava o cuidado extremo que devia haver para que as mudanças se fizessem.

Nos dias de hoje, a mudança corresponde a dois tipos de satisfação: impulsionar novos meios, novas diretrizes, novos movimentos para que a situação evolua e melhore e dessa forma se possa sair airosamente do passado – isso é inovação (“P’ra melhor está bem está bem, p’ra pior já basta assim” – cantava a Sheila, nos “bons velhos tempos” do pós-25 de abril); ou forçar a saída, numa necessidade de repudiar o presente que não oferece garantias de bem-estar (“Mudar de vida se tu não vives satisfeito” – escreveu António Variações) – isso é insatisfação.

A mudança pode ser rápida, agitada, até tumultuosa (revolucionária?) ou pode acontecer de forma mais serena. A revolução faz-se num dia só, as suas consequências é que demoram mais tempo. A mudança envolvente e continuada demora mais tempo, passa por épocas precisas, cada qual estribada nas componentes da própria sociedade que a albergou. Há quem pense que, mesmo assim, a mudança tranquila também é revolucionária, precisamente porque faz mudar o sentido das coisas, a sua revolução (deslocamento, alteração, mudança de rumo).

Em qual desse tipo de mudança se deve enquadrar a frase de Rui Santos (candidato do PS – não presidente da autarquia) que o “JN” da passada segunda-feira destacou na sua secção “Autárquicas 2017”? : “Vila Real deu um enorme salto nestes últimos quatro anos”. 

Rui Santos considerou a mudança em quatro anos um “salto enorme”. Para a frente.

Mas Vila Real de hoje não deixa de ser um conjunto de mudanças vindas de um tempo passado igualmente fecundo. 

É urgente que os tempos mudem e que eles nos tragam novas confianças.  

“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança, todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades”. Luís de Camões o disse. Já lá vão uns tempos…

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