Mário Lisboa

Os Aeródromos Regionais e outros interesses que se sobrepõem

Costuma-se contar a piada do indivíduo que compra um “barco”: o dia em que o compra – porque está feliz pela aquisição – e o dia que o vende – porque está feliz por se ver livre dele!


De certo modo, o mesmo se passa em relação aos aeródromos. Um aeródromo é sempre uma infraestrutura muito desejada pelas populações, até estas terem de suportar os custos do seu financiamento.

Quem anda nestas andanças, verifica que há aeródromos completamente desertos tanto aos dias de semana como mesmo nos fins de semana.

Dos 122 aeródromos da rede secundária nacional existentes em Portugal Continental chegámos às seguintes conclusões:

Cinco estão encerrados (Mortágua, Piaslongas, Quinta da Foz, Sines e Tavira), dezasseis são municipais (Braga, Bragança, Cascais, Chaves, Coimbra, Covilhã, Espinho, Évora, Lagos, Monfortinho, Ponte de Sor, Portimão, Santa Cruz, Seia, Vila Real e Viseu). Os restantes são privados. Do total, apenas seis têm ajudas-rádio (Bragança, Cascais, Coimbra, Évora, Vila Real e Viseu), mas destes seis, somente em Cascais, podem operar voos por instrumentos, com aproximações de não-precisão, nenhuns têm sistemas de aproximação de precisão.
Há alguns exemplos de aeródromos que em tempos recebiam vários visitantes que conviviam nos seus restaurantes e em bom ambiente, muitas vezes quase familiar. Houve restaurantes de aeródromos que fecharam e estes tornaram-se desertos…

Esta situação torna-se um círculo vicioso, porque não havendo serviços não há clientes e não havendo clientes, os serviços fecham.

Também as condições operacionais dos aeródromos são primordiais para este tipo de operação, tal como para a operação comercial. Havendo bons apoios operacionais e ajudas-rádio para aproximações, os transportes aéreos têm mais garantias que os seus voos não aterram por causa do tempo marginal. Senão, os passageiros irão preferir viajar por via terrestre, mesmo que demorem mais tempo e seja mais incómodo. Estas situações geram perda de interesse.

Mesmo correndo o risco de podermos estar a ser utópicos, sugerimos que se compare o aeroporto de Vigo, por exemplo, com os aeródromos municipais do Nordeste Transmontano. Qual a diferença principal entre eles? Na nossa opinião, é o investimento. Ora este investimento passa por uma definição de uma política aeronáutica nacional, até agora inexistente. Devem ser avaliados os custos e benefícios das infraestruturas aeronáuticas dos aeródromos secundários, avaliar e otimizar a sua operação versus a sua rentabilidade e, por fim, melhorar – e muito – a oferta de serviços nesses aeródromos.

Assim, com o flagelo dos incêndios que vem acontecendo por todo o país, mas com acento tónico no interior, caso de Alijó, a poucos metros do Aeródromo da Chã, os meios aéreos continuam a ser um dos melhores auxílios à sua extinção.

Por razões, que desconhecemos, o Aeródromo acima referido encontra-se fechado ao tráfego aéreo, apesar da sua pista estar operacional.
Finalmente, o meio aeronáutico em Trás-os-Montes, continua a estar vivo. O recente festival do “Red Burros fly”, que aconteceu, no dia 29 de julho, com o êxito que já se previa. Veio demonstrar, o que sempre afirmamos.

Decorreu em Bragança, a 5 e 6 de agosto, o “Careto Airshow” no Aeródromo Municipal, estiveram 100 aeronaves portuguesas e estrangeiras, bem como outras atividades.
Parabéns a Mogadouro e Bragança pela sua dedicação e interesse pelo “Mundo Aeronáutico”.

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