Zeferino Boal

Encontros com o passado e as origens na projeção do futuro

Quem somos, de onde viemos, onde estamos, que fazemos, com quem estamos e o que nos reserva o futuro, são questões básicas que carregamos no subconsciente e periodicamente sobem ao consciente.


Nas famílias, todos nós somos confrontados sobre a previsibilidade dos atos, da semelhança dos tiques e comportamentos, com um “aquele sai a fulano/a..”. 

De facto, frequentemente, ouvimos expressões como: “...olha o António... tal qual a Conceição.... hum... aquele é o avô rechaçado... etc”. Ou então respondendo a um mando, dizemos “… sim, sim, senhora Felisbela...”, pois as características marcantes de um qualquer antepassado ainda vivo na nossa memória, estão plasmadas na nossa personalidade, traço fisionómico e constituirão “marca de água” da nossa personalidade.   

Tantas vezes somos confrontados pela possível origem dos nossos traços dominantes, que damos connosco a desenhar árvores genealógicas, consultar fotos antigas, assentos de nascimento, casamentos e óbitos dos que nos antecederam e que fazem parte do nosso ADN. As redes sociais vieram facilitar a pesquisa de apelidos idênticos, junto a nós e nos locais mais remotos: Américas do Norte/Sul, África, com especial destaque para o Brasil, Angola e Cabo Verde onde estabelecemos laços familiares com outros povos que apelidamos, apropriadamente como povos irmãos.

Foi assim que surgiu um trabalho estruturado, relativamente aos BOAL, cuja origem se situa no lugar de Justes, então frequesia de Lamares, com documentos datados a partir da segunda metade do século XVIII. Um pequeno passo foi dado e o desafio lançado por um grupo de jovens, com origens em Portugal, África e América do Sul. Meteram mãos à obra e lançaram um projeto de identificação criteriosa dos Boal espalhados pelo mundo, com a ajuda preciosa do acervo documental do Arquivo Distrital de Vila Real, através da consulta online da vasta documentação aí existente.

Não contentes com isso, partiram à aventura de organizar uma jornada de convívio, tendo como pano de fundo o maravilhoso Douro, nos concelhos de Vila Real e Sabrosa. Foi um excelente momento, onde se estreitaram laços familiares e de amizade. Foi um momento de descobertas! Infelizmente, nem todos puderam participar, mas puderam acompanhar a visita através das redes sociais. 

Como não podia deixar de ser, a jornada culminou com a visita a Justes, ao cemitério  onde repousam os restos mortais desde 1875 e na Igreja de Santa Maria Madalena onde os antepassados foram depositados antes daquela data.  A visita terminou no Largo do Boal.

Para o próximo ano, de outros cantos do mundo virão os BOAL, para participarem no III Encontro dos Boal, em Beja.

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