Agostinho Chaves

EDITORIAL

Armas perdidas

O exército (uma das forças armadas da nossa soberania) sempre foi um bastião seguro, inspirador de confiança entre os portugueses.


Rigoroso, competente, sabendo desenhar estratégias, na guerra ou em tempo de paz, sempre os portugueses se identificaram com ele e o apoiaram, fosse no antigo regime fosse no atual que as forças armadas portuguesas ajudaram a consolidar. Todavia, o ano de 2017 fica marcado por duas situações que nada abonam em favor da sua credibilidade junto da população portuguesa e, mesmo, da estrangeira a quem chegaram os ecos daquilo que aconteceu com o caso dos Comandos e com a fuga de armas de um paiol, em Tancos. Relativamente a estes dois processos, surpreendem as hesitações, as tibiezas, as fugas à responsabilidade, à precipitação de decisões, às justificações avançadas através dos órgãos de comunicação social, muitas delas muito confusas e inseguras, mesmo pelo próprio ministro da tutela da defesa.

O caso dos Comandos até poderá ser considerado como excecional, fruto da rigidez (ou da incompetência “daqueles” instrutores) que é exercida sobre os militares daquela força de elite e que, desta feita, poderá ter corrido mal. Já no que diz respeito a Tancos, o caso muda de figura. Ninguém defende o que não tem defesa, é uma confusão generalizada que se estende desde a exoneração de cinco comandantes que foram readmitidos menos de uma semana depois até à subestimação de Azevedo Lopes do acontecido: afinal não terá havido furto nenhum, o assunto foi empolado pela comunicação social. Mas, entretanto, o ministro que já esteve ligado à Secretaria de Estado da Comunicação Social, afirmara antes que “ninguém sabia o que havia em Tancos”, “o seu ministério não recebeu qualquer dado sobre a eventualidade de estar a ser preparado um assalto a um quartel das forças armadas”, “registo a coincidência entre o desaparecimento do material militar dos paióis de Tancos e a decisão de reforçar o perímetro de segurança do local”. Para além disso, a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda, afirmou (no Parlamento) que só tinha sabido do assalto pela Comunicação Social, 24 horas depois, tal como Júlio Pereira, secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa.

Noutra altura poderemos falar ainda do desaparecimento de armas “Glock” de um armazém da PSP em Lisboa, caso que parece ter caído no esquecimento que parece ser o destino dos “grandes casos” que, subitamente, são despoletados em Portugal.

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