José Pinto

Eu também sou candidato!


Vivemos um tempo em que parece que as pessoas fogem, cada vez mais, dos compromissos (particularmente daqueles a longo prazo, que exigem persistência, empenho, tolerância e espírito de sacrifício); em que evitam as palavras claras [“Sim. Sim. Não. Não.” (Mt.5, 37)], antes preferindo o “nim”, o “talvez” ou expressões mais ou menos dúbias. Este também parece ser um tempo cada vez mais de “modas”, passageiras ou efémeras, do que de valores perenes, que dão sabor à vida e suportam uma vontade, ainda que muitas vezes contra a corrente!

Este é um tempo do “politicamente correto”, de propostas “fraturantes” (seja lá o que isso for!), mas, também, de conversas estagnadas, estéreis, que nenhuma melhoria trazem às pessoas, antes envenenam o ambiente familiar e sócio-comunitário. Este parece ser um tempo do “salve-se quem puder”, do “usar e deitar fora”, das pessoas descartáveis, de pura recusa ou intolerância ao sofrimento, de cada um se servir e de não servir!

Mas também é um tempo, e porque estamos em período de campanha eleitoral, em que algumas pessoas decidem comprometer-se em apresentar e defender ideias e projetos, em benefício das respetivas comunidades. Bom seria que apenas isso fosse – amplamente – discutido, no quadro da legalidade democrática!

Quando, num bendito e longínquo Domingo do Outono de 1962, os meus pais me levaram, pela primeira vez, à igreja de S. Domingos, começaram, conforme o previsto no Ritual próprio, por pedir à Igreja que eu fosse batizado.

Iniciava, aí, e sem ter consciência de tal, uma caminhada pessoal, familiar e comunitária que, não estando pré-definida, tinha já uma meta proposta por Deus: a santidade! “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1, 16). “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Tes 4, 3).

Não a santidade dos atos heroicos, que pode levar aos altares e à veneração dos fiéis, mas a santidade anónima, que muito agrada a Deus, e que pode ser obtida pelo cumprimento dos nossos deveres quotidianos, rotineiros, desde que feitos com amor. De sermos capazes de chorar com os que choram e de rir com os que riem, não numa atitude de “Maria-vai-com-as-outras”, mas de expressão de uma verdadeira comunhão com os que vivem ao nosso lado, numa fraternidade viva e operante. A santidade que resulta de, como tem dito o Papa Francisco, sermos capazes de ir para as periferias (geográficas e não só…) e de sujar as mãos para aliviar a fome, a sede, a nudez, a doença, a prisão de tantos e tantos que sofrem. “Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes.” (Mt. 25, 40).

Mas eu sei que não posso alcançar a santidade apenas por mim, pelas eventuais minhas boas obras, sem ter comigo a graça de Deus, que me ilumina e fortalece, e que me dá ânimo para não desistir perante as dificuldades que surgem. A graça de Deus que me ajuda a conformar a minha vida a Jesus Cristo, de modo a que, como S. Paulo, eu possa dizer: “Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim.” (Gal. 2, 20)

Apesar de tudo, e embora indigno, eu também sou candidato… à santidade! 

E tu? Aceitas este desafio de também querer ser santo(a)? Aceitas comprometer-te?

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