70 ANOS "ad multos anoos"
1 – Geralmente a história só nos faz justiça muitos anos depois. Acontece com os homens – as grandes figuras da História e com as instituições.
Ocorre-nos lembrar esta verdade, a propósito do 70 º aniversário do jornal “A Voz de Trás-os-Montes”, e do respetivo Diretor que se manteve ao seu leme ao longo de quarenta anos.
Comecemos pelo Jornal. Este órgão de informação regional foi fundado, desde logo com um título muito apelativo: “A Voz de Trás-os-Montes”. Pessoalmente desconhecemos quem foi o autor da ideia – eventualmente o seu primeiro Diretor, o Padre Henrique, pessoa que nós não conhecemos, mas que sabemos ter sido uma figura marcante na Diocese de Vila Real. O Título do Jornal é uma indicação clara dos propósitos da publicação: ser a voz de uma região, numa altura em que a região administrativa de Trás-os-Montes e Alto Douro, ainda constava da nomenclatura constitucional. Tê-lo-á conseguido ao longo destes 70 anos?
Só acompanhamos a vida deste órgão informativo, desde 1977 – há 40 anos, portanto. Ora neste período somos testemunha qualificada, para assegurar que este periódico semanal cumpriu sempre este desígnio: formar, no que à doutrina da igreja se lhe recomendava, e de informar, como era requerido pelo seu título. Uma voz, que nunca se limitou, como pudemos comprovar pessoalmente, à comunidade transmontana, mas que chegava a todo o país, e cruzando oceanos chegava às comunidades portuguesas espalhadas pelos quatros cantos do mundo, com especial incidência no Rio de Janeiro e São Paulo, no Brasil, e Costa Leste dos E.U.A.. Era sem dúvida o embaixador que chegava semanalmente àquelas comunidades, com as notícias de cá, e também de lá, que uma rede de correspondentes, muito competentes, ia alimentando.
Destacamos ainda, o contributo que este órgão de informação e formação deu, no período em que o país político foi atraído para o tema do desenvolvimento regional – anos oitenta e noventa, em que se colocou abertamente ao serviço da formação de uma consciência regional de Trás-os-Montes e Alto Douro, contra o centralismo (por vezes asfixiante) que tem dominado a nossa administração pública: deputados, autarcas, empresários, associações cívicas, culturais, socioprofissionais, sempre encontraram espaço no Jornal, para poderem apresentar e defender as suas ideias e os seus pontos de vista. O que permitiu, de facto, formar e formatar esta consciência regional que continua a aspirar e a reivindicar, cada vez mais, um maior poder decisório, para as causas que nos são próprias.
2 – Finalmente, uma palavra sobre e para o Diretor do Jornal – o Padre António Maria Cardoso, que os administradores atuais decidiram, e bem, recordar neste 70º aniversário. Em boa verdade, este semanário – um dos mais prestigiados da imprensa regional portuguesa, continua a ter a marca deste homem da igreja, que serviu e se serviu do Jornal – para exercer o seu múnus apostólico e a sua vocação de jornalista, ao longo de mais de quarenta anos. Acompanhámo-lo enquanto autarca. Depois disso, durante mais de trinta anos, abriu-nos as páginas do seu jornal para expressarmos as nossas ideias, os nossos projetos, as nossas propostas para a sociedade e para a região. Pessoalmente devemos-lhe esta disponibilidade.
A comunidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – os Transmontanos, agradecem-lhe naturalmente o seu entusiasmo, dedicação e voluntarismo.
Quem decidiu lembrá-lo e honrá-lo nesta efeméride, merece também o nosso reconhecimento.

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