Agostinho Chaves

Pedofilia

Esta semana foi tremenda para quem leu os jornais diários e se documentou com a realidade neles impressa. Foram muitos os casos, mais do que os admissíveis, reveladores da falta de valores que hoje em dia impera por aí. 


Defende-se, atualmente, uma sociedade mais aberta, mais livre, mais sofisticada, mais evoluída, menos asfixiante, mais conscienciosa. Mas é nesta defesa de conceitos que se sente a terrível contradição: a uma liberdade sexual mais abrangente, a leis de vida privada mais definidas, a costumes menos obedientes a princípios morais e éticos, a convites a desafios e aventuras, à libertação dos corpos e dos espíritos eis que a pedofilia é uma chaga que nos assusta. Nem pode deixar de assustar. Ninguém está livre de ser vítima dela. Mesmo que as nossas crianças e jovens estejam em locais que reputamos sérios e seguros. 

Os pedófilos espreitam em cada rua, em cada esquina, em cada casa. Estão nos locais de lazer e nos locais de trabalho. Atacam inesperadamente e a sua valentia mede-se tanto mais quanto mais indefesas e frágeis são as suas vítimas.

Nesta semana, surgiram notícias miseráveis de professores (três) que abusaram de alunos seus (rapazes e meninas). Um médico foi detido por crime sexual sobre uma criança e um dentista aproveitou as consultas de crianças e adolescentes para dar aso aos impulsos da sua libidinosa mente. Um funcionário de um hospital foi detido por praticar sexo com os doentes. E mais doentes foram importunados por mais dois médicos que os atenderam nos seus consultórios. Acrescente-se a série de cinco casos de maus-tratos em instituições (um deles envolvendo, também, abusos sexuais), um ex-autarca que foi condenado por obrigar duas menores a sexo forçado e ainda um caso em que o agressor foi um pai adotivo.

Quinze casos apenas numa semana. Uma realidade nefasta que, com as situações de violência doméstica, traduz o estado civilizacional em que nos encontramos.

Não deixa de ser esclarecedor que, pese embora o sexo mais livre que tanta gente defende, estes casos sejam “clandestinos”. Seja nas salas de aula de uma escola, nas casas de banho das enfermarias de um hospital, nos consultórios dos próprios médicos e até no ambiente familiar de cada um.

Sim, esta semana foi tremenda. Como serão as próximas futuras?

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