Alfredo Mota

Uma aliança “contranatura”

Winston Churchill (WC), Primeiro-Ministro inglês, durante a última grande guerra, ficou conhecido como um dos maiores políticos, senão o maior, do século passado. A sua carreira política foi de tal forma rica e reconhecida que, praticamente, passou despercebida a sua conquista do Prémio Nobel da literatura, em 1953.


Pois, dentre os magníficos pensamentos que este grande político e intelectual nos deixou, cito um que vem a propósito do atual momento que o nosso país vive: “Sem um conhecimento da história ninguém poderá compreender os problemas do seu tempo”. 

De facto, quem se lembrar da história terá presente que o PS e os partidos da esquerda marxista, como são o PCP (marxista-leninista-estalinista) e o BE (marxista-trotskista-maoista), sempre foram inimigos figadais. 

Logo após o 25 de Abril de 1974, o PCP e a extrema-esquerda, de que o BE é herdeiro tentaram em diversos momentos acabar como PS. O PCP e o seu líder, Álvaro Cunhal, quiseram exterminar o PS como Lenine exterminou o partido menchevique, o “PS” russo. A efusiva comemoração que o PCP fez recentemente da revolução bolchevique soviética de 1917 mostra como o PCP não aprendeu nada e não mudou nada. A este propósito, a insuspeita jornalista São José Almeida escrevia no Público de 11/11 um artigo intitulado “Uma Contradição Insanável” perguntando: «…como pode o PCP afirmar-se defensor da democracia em Portugal hoje e glorificar o que foi a “Revolução de Outubro” e o regime soviético, assumindo-o como modelo para a humanidade?». 

Na história da democracia portuguesa, a aliança que o PS fez com o PCP e com o BE é claramente “contranatura”. Nada os une e tudo os separa, senão vejamos: desde logo, a democracia e a liberdade sem censura e sem polícia política, a iniciativa privada, e depois a NATO, a Europa, o euro, etc.

Esta é a verdade e se calhar por isso mesmo é que os problemas da governação se vêm multiplicando, denunciando incompetência e desorientação, bem patentes nas últimas decisões, com frequência, contraditórias e incompreensíveis, dos governantes! Foi a gestão da questão dos incêndios e os mais de cem mortos que provocaram, o roubo de Tancos e a manifesta incompetência do Ministro da Defesa, foi a balbúrdia do jantar no panteão cuja  responsabilidade este governo tentou enjeitar, foi o problema da legionella num hospital público de Lisboa, foi a barafunda com a questão das reivindicações dos professores e as contradições insanáveis de diversos membros do governo, foi a derrota da candidatura portuguesa à Agência Europeia do Medicamento (7º lugar), foi o recente anúncio da transferência do Infarmed para o Porto sem nenhum estudo que o justifique, como o confirmou a sua diretora, e sem sequer ouvir os seus cerca de 350 trabalhadores que souberam pela imprensa! 

É demais em tão curto espaço de tempo e principalmente é revelador da manifesta incapacidade do Primeiro-Ministro para lidar com os problemas e por isso atribui sempre a culpa ao governo anterior! Era bom que o PS e o governo não se fiassem só no otimismo dos resultados económicos pois como muitos especialistas vêm avisando, a fragilidade da nossa economia e a ausência de reformas estruturais tornam o nosso futuro sombrio. 

O facilitismo a que se vem assistindo na distribuição de benesses às clientelas dos partidos da “geringonça”, como é o caso da FENPROF e outros sindicatos, não augura nada de bom. 

Esperemos que a bancarrota que o PS nos deixou em 2011, que obrigou á troika e a grandes sacrifícios, não se repita!

Comentários