Victor Pereira

Razões Para Não Ir à Missa

A missa do Domingo é o centro de todas as comunidades cristãs. Dali parte e ali chega a vida eclesial, social, espiritual e missionária de toda a comunidade e de todo o cristão.


Não há verdadeira vida cristã e verdadeira comunhão com Jesus Cristo e com a Igreja sem a participação na missa dominical. Daí que a Igreja o recomende ativamente e até considere pecado não o fazer, para consciencializar que a missa dominical é vital, fontal e constitutiva do ser e viver como cristão. 

Um casal, Thom y Joani Schultz, escreveu um livro sobre os motivos pelos quais as pessoas estão a abandonar a prática religiosa e a frequentar menos os lugares de culto religioso. Eis os 4 principais: 

1. Excesso de julgamento da Igreja ou julgar primeiro, sem antes acolher e conhecer. Um bom número de pessoas defende que primeiro deve haver hospitalidade e um bom acolhimento, com bonomia e empatia, e só depois se deve procurar concertar o que não está bem. Há que repensar uma certa mentalidade legalista que reina na vida da Igreja. 

2. As celebrações da Igreja não oferecem muitos momentos de expressão para as pessoas ou para os fiéis, que também gostariam de falar e ser ouvidos. Há talvez um protagonismo exagerado do sacerdote e do rito em si. Os fiéis, de facto, estão a participar, mas praticamente estão reduzidos a ouvintes. Há muito rubricismo e racionalismo e pouca afetividade e emotividade. Hoje as pessoas querem ser ouvidas e expressar ideias, sugestões, experiências e sentimentos.

3. A ideia de que quem frequenta a Igreja é hipócrita ou que a Igreja está cheia de hipócritas. Lembro que, como nenhuma outra instituição o fez, a Igreja tem reconhecido publicamente os seus erros e as suas misérias, sentindo-se necessitada de conversão e perdão. A Igreja é feita de pecadores e de santos. Ser cristão é saber caminhar e viver com a contradição e a fragilidade das pessoas. 

4. Deus está distante, parece morto. Percebemos o enfoque do reparo: é preciso menos mandamentos, menos regras, menos sermões excessivamente doutrinários e moralistas, menos palavreado, e mais caminhada, busca, experiência e encontro de vida com Deus.

Poderá sentir alguma discordância, mas penso que a Igreja fará bem em escutar estes reparos e estas indicações, fazendo um pouco de reflexão e autocrítica. 

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